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A crônica de uma derrota anunciada

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08/08/2014 – 08h58

Ao final do primeiro tempo de Corinthians e Bahia na última quarta-feira, com a coluna em pandarecos e já não encontrando mais uma posição que me permitisse continuar sentado, passei o controle remoto da TV à Anita, já angustiada para esticar as pernas no mesmo sofá e iniciar sua rotineira sessão de zapeadas. Palmeirense, ela não perdeu a oportunidade de tirar uma casquinha, dizendo que meu repentino sono era decorrência da derrota do timão, com um gol contra do lateral Guilherme Andrade. Retruquei, apontando para o placar agregado de 3 a 1 que permitia a classificação do clube do Parque São Jorge na Copa do Brasil. São as regras do jogo. E do campeonato. E assim as das eleições em dois turnos.

Os quarenta e quatro anos de jornalismo me aconselham a não fazer o papel de ridículo, embora a senilidade possa causar uma provável falta de noção das coisas, de tempo e de números, o que pode parecer desrespeito com o público leitor e, no caso, com o eleitor. Como álibi, a meu favor, o fato de ter fugido da escola pela mais absoluta falta de afinidade com as ciências exatas. Mas não precisa ser nenhum gênio para desconfiar, pelo menos, que alguma coisa está errada, senão nos números na forma como foi apresentada a pesquisa do Ibope ontem pela TV Morena. Em respeito à casa que tão bem me acolheu nas várias vezes em que por lá passei, diria que, no mínimo, houve uma escamoteada básica, em reconhecimento aos milhões de mídia do governo André Puccinelli e, desde já, para uma média com Delcídio do Amaral.

Pra começo de conversa. Por que a TV Morena não fez uma simulação de segundo turno? Será que é porque os percentuais atribuídos a Nelsinho Trad (20%) e Reinaldo Azambuja (19) somados aos 16% de indecisos, 4% de brancos e nulos, mais as quirerinhas dos nanicos são mais que suficientes para suplantar Delcídio do Amaral (39%) no segundo tempo deste jogo? Repito. Sou ruim de matemática uma barbaridade, mas o leitor que faça suas próprias contas. E projeções. Não se esquecendo que o eleitor indeciso é aquele que está esperando o desfecho de escândalos como os da Uragano e de Pasadena, nos quais o petista está atolado até o pescoço.

Outra coisa esquisita, mas aí se dando o desconto aos editores de jornalismo da TV de seu Zahran, que podem, a exemplo do eleitor, não estar entendo os rumos apontados pela biruta do aeroporto em que André Puccinelli costuma embarcar em seus voos políticos. Talvez por isso, para evitar que alguém se beneficie de algum impacto positivo, mostrando em separado os números dos que consideram ótimo e bom o atual governo, exatamente ao contrário do critério do Jornal Nacional, alguns minutos em seguida, ao apresentar os pífios índices de aprovação do governo petista de Dilma Rousseff. Para salvar a credibilidade da emissora não dava, claro, para esconder a rejeição de Delcídio do Amaral. E nisso ele é o campeão! E este, sim, é um dado que faz a diferença no frigir dos ovos.

Isso tudo faz lembrar o monstro sagrado, o imbatível Pedro Pedrossian, em 1998. Depois de uma derrapada num debate na mesma TV Morena, onde a soberba (só comparada, agora, com a de Delcidio do Amaral) pôs tudo a perder, teve de se contentar em ver as coisas se decidirem entre Ricardo Bacha e Zeca do PT, no segundo turno. E, um pouco atrás, a história aqui já contada do Zé da mala, em Glória de Dourados, que, a exemplo de Reinaldo Azambuja, entrou na disputa para dar uma mãozinha a Yassuo Morishita e acabou virando prefeito. Uma história que André Puccinelli não pode alegar que não conhece.

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Delcídio do Amaral, o campeão de rejeição entre os eleitores

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