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“Coerência” de Zeca do PT atrapalha chapa Delcídio-Londres

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18/08/2014 – 16h40

Nem com a ajuda da lupa de Antônio Tonanni consegui achar Zeca do PT entre a companheirada e um bando de oportunistas sequiosos por cargos e se fingindo adeptos da doutrina lulo-chavista-bolivariana que tomaram de assalto os dois lados da avenida Marcelino Pires na manhã do último sábado para o lançamento da campanha da chapa Delcidio-Londres. Como explicar a ausência do puxador de votos da coligação? Em busca de alguma pista que pudesse esclarecer o mistério, fui encontrar Zeca do PT no Facebook, madrugador como sempre, em companhia de João Grandão, atrás dos votos dos acampados que ajudou a espalhar pelas rodovias do MS quando era ainda apenas um aspirante a deputado estadual, e, dias antes, lá pelas bandas da fronteira, de braços dados com Oscar Goldoni.

Uma maravilha, aliás, esse negócio de pesquisa na internet. Mirando no que buscamos, acabamos encontrando o que nem sonhávamos, ou que já havíamos esquecido, mas, e isso é o que importa, acertando no que mais interessa à população. E, assim, além de descobrir as razões da ausência de Zeca do PT, e como uma coisa puxa a outra, percebendo, de cara, a necessidade das providenciais aspas na palavra que abre o título deste post. Ora, se Zeca do PT se infiltra em acampamentos e em áreas indígenas “roubando” votos de Laerte Tetila para João Grandão e, se, sem nenhum constrangimento, pousa ao lado de Oscar Goldoni, por que não desfilar com Londres Machado pela Marcelino Pires? No caso das campanhas para Grandão e Goldoni, nem seria uma questão de coerência (assim, sem aspas), mas, talvez, de corporativismo. No crime, evidentemente, já que os três figuraram como réus em processos por improbidade administrativa.

Zeca do PT estaria sendo coerente ao fugir de Londres Machado como o diabo foge da cruz pelo simples fato de que o mais longevo dos deputados estaduais do Brasil representa o que há de mais arcaico (para dizer o mínimo) na política. Mais, valendo-se de uma providencial premonição, no dia em que, com o mesmo Londres Machado a tiracolo, Delcídio do Amaral vem a Dourados para condenar a “velha política”. Coerência pela desconfiança de que talvez o eleitorado não tenha esquecido de suas declarações, não faz muito tempo, espinafrando o agora vice da chapa petista-“republicana” (neste caso, imprescindíveis as aspas): “Eu reconheço que errei aqui em ter governado com a direita, com o Londres Machado, com um monte de gente que não tem nada a ver com a nossa história, temos que dar um breque nisso”.

O problema é que tanto o discurso quanto as atitudes de Zeca do PT estão contaminados pela incoerência. Se tivesse sido forte quando iniciou seu mandato como o primeiro deputado estadual eleito pelo PT, talvez a história fosse diferente. Mas foram apenas três meses, e lá se foi a coerência para o beleléu. Fraquejou, e fraquejou bonito, como diria Ribeiro Arce, petista desses que não aparecem mais. E quem estava na outra ponta, como o chefe de um dos mais notórios esquemas corruptivos de parlamentares que se tem notícia na história republicana? Ele mesmo, Londres Machado, fazendo (e oferecendo) tudo e mais um pouco daquilo que Ary Rigo escancarou no processo da Uragano. Tudo pela tal governabilidade. Ou, pela ingovernabilidade de que foram vítimas Marcelo Miranda, Wilson Martins e seu vice Ramez Tebet, além, claro, do próprio Zeca. Ingovernabilidade que fatalmente inviabilizará Delcídio do Amaral, caso venha a se eleger.

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Goldoni e Zeca, na fronteira, semana passada

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