19/08/2014 – 17h33
Há muito tempo me sentindo um leproso, por conta das puadas de mamando a caducando aqui no blog, havia decidido não participar de nenhum tipo de moagem política nessas eleições. Hoje de manhã, “convocado” por um tucano a pelo menos assistir a entrevista coletiva de Aécio Neves, soltei um peremptório não. E não fui mesmo. Mas ao chegar ao velho casarão da rua João Rosa Góes, local de trabalho da patroa, pulsou mais forte uma veia, não sei se a udenista herdada dos Urbanos, do Guassu, ou a petebista do ramo pobre dos Azambuja. O fervo era muito grande ali ao lado, no auditório da ACED. Embora meio amarfanhado para me infiltrar naquela “massa cheirosa”, como diz a colega Eliane Cantanhêde quando se refere a uma reunião tucana, resolvei encarar.
Por sorte a coletiva já havia acabado. Um locutor aos berros pedia aos jornalistas para se escafederem para que o grosso do PIB douradense, ali sentado, pudesse assistir ao discurso de Aécio Neves. Já que estava ali, e como Aecinho veio a Dourados para virar o jogo pra cima de madame Dilma e – mais essa agora! – da seringueira Marina Silva, não custava uns cliques para o Facebook, o que rendeu de alguns petistas empedernidos, como Edson Moraes, a insinuação de que o mais longevo dos jornalistas do Estado no pleno exercício profissional fazia parte da claque tucana. E de outros, menos ácidos, mas com o desdém de sempre, como a marqueteira Maria Antônia Ribeiro Gonçalves, neste caso dando-se o desconto pelo atarantado das ideias de quem não consegue encontrar a fórmula mágica de diminuir, que seja, a rejeição da administração do patrão Murilo Zauith.
Como bom corintiano, inspirado no conceito do eterno filosofo Vicente Matheus, de que quem está na chuva é para se queimar, corri para a Marcelino Pires para esperar pelo retorno, ops!, da comitiva tucana que a essa altura do campeonato já chegava à Cabeceira Alegre para embarcar num jipe sem capota, retornando pela Marcelino, daí seguindo até o estádio Cezar Luchezzi, local do último ato dessa primeira visita de um candidato a presidente em Dourados. Mais cliques em Aécio Neves no centro da cidade, inclusive em sua descida para um corpo-a-corpo mais decente em frente a banca do Jaime, e pronto! Hora do caldinho de feijão com bacon que a Cremilda costuma servir antes do almoço. Mas hoje, excepcionalmente, a pressa se devia a um vidro do milagroso “doutorzinho” que ganhei ontem de Lourival Mesquita. Era a artrose dando os primeiros sinais do dia.
Rengueando, retorno lentamente à prefeitura, onde havia deixado a viatura, para pegar a Anita. Como ainda era grande a muvuca na Marcelino Pires, em vez de subir a João Rosa Góes para pegar a Monte Alegre, resolvei descer pela esburacada Joaquim Teixeira, até a Mato Grosso, por ela chegando em casa. E aí a surpresa. A carreata continuava trancando a Marcelino. Carros com militantes saindo pela janela, bandeirolas, muitas, parecendo até desova de estoque da Copa do Mundo. E um foguetório danado, tudo junto e misturado ao som de jingles de campanha de criatividade sofrível e de gritos de Aécio presidente. Daí à conclusão de que, depois de esquecida durante o processo de escolha dos candidatos majoritários, talvez como consequência da devastação dos ventos uragânicos e da sonolência profunda que se seguiu, parece que finalmente Dourados levou um choque, acordando do coma político. Danado este neto de Tancredo Neves.
←TEXTO ANTERIOR ouPÁGINA INICIAL→

