21/08/2014 – 10h00
Delcídio do Amaral (de camisa polo vermelho-PT) na defensiva, num claro sinal de que – muito provavelmente pelo efeito Pasadena/Cerveró – as setinhas de retorno começam a piscar num amarelo cada vez mais vivo nos gráficos das pesquisas de intenção de voto; Nelsinho Trad na fila para se agarrar à alça do caixão de Eduardo Campos e Reinaldo Azambuja, despojado e muito à vontade, até para sampar a ripa em seu principal patrocinador de campanha. Por este prisma, se depender da audiência dos programas eleitorais na TV, Azambuja é o que está mais bonito na foto. Ou melhor, na fotografia, em linguagem técnica-televisiva, no melhor cenário, o mais bem dirigido diante das câmeras e com o melhor discurso.
Neste grande teatro de tentativa de convencimento do eleitor coube também a Reinaldo Azambuja a produção da maior prova do quanto a política é a arte da enganação e da dissimulação, daí o eleitor estar cada vez mais com um pé atrás. A enganação de Azambuja não poderia ser mais flagrante. E nem precisa ser profissional da área para sacar. Como se saísse de um estúdio de TV para gravar imagens externas, num sobrenatural esforço para se aproximar do tão temido povão, ele começa criticando seus colegas políticos de profissão que falam pela boca e com as ideias dos marqueteiros. Como se essa encenação toda não fosse uma das mais manjadas técnicas dos próprios marqueteiros. Com a diferença, apenas, de que por ser o candidato que representa o agronegócio e o que comprovadamente tem maior número de cabeças de gado, pelo menos teve a competência de contratar gente que entende do riscado.
Nelsinho Trad, no triste estado de abandono em que se encontra sua candidatura, tentou tirar o máximo de proveito do momento de comoção nacional, com a morte de seu candidato a presidente Eduardo Campos. Nem seria o caso de avaliar os riscos da estratégia, diante da clara tentativa de se ganhar tempo enquanto sua vice, pastora Janete, não encontra a chave do cofre tão bem guardada por seu recém-falecido pai, o ex-prefeito e ex-deputado douradense Antônio Moraes dos Santos, para, quem sabe assim instigar a criatividade dos marqueteiros em superproduções que mostrem os grandes feitos de André Puccinelli e do próprio candidato situacionista não só em Campo Grande como em todo o Estado.
Mas o que ficou mais flagrante nesta primeira aparição dos candidatos ao governo do Estado na TV foi a tensão da fala de Delcídio do Amaral. Para um candidato que aparece na frente nas pesquisas, abrir uma temporada eleitoral tentando se justificar, em vez de um programa tipo família, propositivo ou pra cima, com as grandes produções que são a marca registrada do partido, é sinal de que as mesmas pesquisas indicam perigo à vista. E o nome disso é vacina, quem é do ramo sabe. A menos que tenha secado a torneira que costuma jorrar dólares na conta – do exterior, inclusive – de Duda Mendonça. Ou, que o marqueteiro lulo-malufista, desgastado e agastado pelo envolvimento com a turma do mensalão, tenha simplesmente perdido a mão para campanhas eleitorais, preocupado, que deve andar, com seus galos de briga.
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