23/08/2014 – 02h58
As produções televisivas de Delcídio do Amaral e Nelsinho Trad melhoraram um tiquinho neste segundo dia de exibição na TV, mas ainda não conseguiram chegar aos pés do programa de Reinaldo Azambuja. Isto faz aumentar minha convicção de que não conseguiram encher ainda a sacolinha de Duda Mendonça, o marqueteiro lulo-malufista que, pelo basicão da coisa, deve ter mandado pra cá gente de seu segundo ou terceiro time. E aí fica difícil entender o que é pior, se o Delcídio zagueirão, que só se defende, ou chapeludo, no lombo de um cavalo apartando boiada, para deixar a petezada em cólicas. Enquanto isso, a pastora Janete Moraes já pode parar de procurar a chave do cofre escondida pelo pai. Mais básico, diria que até simplesinho demais, o programa de Nelsinho. E Reinaldo, fazendo jus à fama dos Azambuja, sentando a ripa sem dó nem piedade nos adversários.
Vendo a coisa assim de longe parece até que não é o tucano o encarregado de dar uma mãozinha ao – mal das pernas – peemedebista, para levar a eleição para o segundo turno, pelo tanto que o petista está cheio de dedos. Como é tudo companheiro – Dilma lá, André cá – e pelo tanto que se fala em pindaíba pelos lados da situação, ficando a impressão também que a fonte da grana das campanhas é a mesma. Só falta ser a famosa “fonte zero”, aquela que inverte a lógica do planejamento orçamentário com base em gastos anteriores, exigindo revisão e avaliação mais completas dos pedidos de alocação de recursos. Se também Delcídio do Amaral estiver nessa dependência e, sabendo-se da muquiranice de André Puccinelli, a eleição corre o risco de terminar empatada. Aliás, as desconfianças nesse sentido começaram com a embromação do “republicano” Londres Machado para aceitar o “honroso” convite para ser vice na chapa petista.
Não dá para conceber um marqueteiro como Duda Mendonça, que não senta para negociar uma campanha por menos de cinco milhões de reais, não dispensar uma atençãozinha mais especial a um candidato a governador, mesmo que se considere a condição de segundo escalão de Delcídio entre os petistas ou o fato de ser candidato em um estado que não é nenhuma Brastemp no conjunto político federativo. A menos que Duda esteja fazendo o jogo de Zé Dirceu, o capo petista preso em consequência de uma investigação da CPI presidida pelo mesmo Delcídio do Amaral. Aí a coisa é mais feia ainda.
O amadorismo é tão flagrante que mesmo tentando plagiar o internacionalmente reconhecido padrão de qualidade da teledramaturgia da rede Globo não conseguiram fazer Delcídio do Amaral chorar quando relembrou as histórias da família. Também aí na defensiva, forçando a barra para relembrar sua condição de pantaneiro, num claro contraponto à insistência de um blogueiro insubordinado do interior que vira e mexe traz à tona sua dolce vita nas paradisíacas praias de Santa Catarina, estado onde prefere fazer seus investimentos. Neste ponto a produção do programa do PMDB foi mais competente. Nada, elementar, que um coliriozinho não dê jeito em situações para passar emoção, como aquela de Nelsinho lembrando Nelsão nos tempos do início de sua vida acadêmica no Rio de Janeiro. Diante do que era para ser um rio lágrimas dos candidatos situacionistas (de chorões, aliás, basta Lula e Puccinelli) nada melhor que as lágrimas de sangue dos desassistidos da saúde pública. E foi isso que os tucanos fizeram. Para o dramalhão ficar completo só faltou a mãe de Delcídio, que lembrou o fato dele ter nascido em pé, dizer que, a exemplo de Collor de Melo, o filho também tem aquilo roxo. Uma pena, para o Mato Grosso do Sul.
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