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O “D” de derrota já atormenta Delcídio

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26/08/2014 – 02h01

Dizem os mais chegados que quando Delcídio do Amaral começa a repuxar demais o canto da boca assim para a direita, como na foto ao lado do inseparável companheiro João Grandão, é porque o bicho está pegando. Muito mais que o 15 de Nelsinho Trad ou o 45, de Reinaldo Azambuja, informações fidedignas (alas, La Torraca!) dão conta de que o senador esqueceu-se de vez que seu número é o 13, que acha que é 33, não se sabe se apenas pela crise de identidade partidária ou devido à anunciada perseguição de outros dois de seus pares, um deles também do Congresso, o mais próximo, o 27, e o cabalístico 24. Tudo coisa de bastidores de campanha, claro. Ou melhor, para consumo interno. Será?

Para mim nenhuma novidade, aliás, essa coisa de amnésia de Delcídio, patologia que diagnostiquei meses depois de conhecê-lo pessoalmente, em 1997, quando, como seu cicerone, tive a missão de apresentá-lo às lideranças políticas e à imprensa douradense, sem que jamais me desse um retorno, sequer para alguma coisa, tipo assim “obrigado aí, trouxa, agora que já sei o caminho não preciso mais de você”. Pior. Percebi que houve uma recidiva desse mal crônico domingo agora, à noite, num dos intervalos do Fantástico. Quase caí do sofá ao término de um de seus comerciais de campanha, onde, falando de seus feitos como presidente da CPI dos Correios, o locutor anuncia como resultado a prisão de um bando de corruptos. Não nesses termos, claro. E claro também que não falariam em quadrilha. Mas o programa de Delcídio do PT falou, sim, com todas as letras, que foi ele, o senador de todos os petistas, um dos grandes responsáveis pela prisão de gente da estirpe de Zé Dirceu, Zé Genoíno e Delúbio Soares, enfim, a alta cúpula de seu partido em âmbito nacional. O que não faz um sujeito desesperado! Cortando a própria carne, tadinho.

Aí, rebobinando a fita, de repente as coisas começam a ficar, senão claras, mais ou menos lógicas. Falo da grande interrogação acerca das negociações que obrigaram André Puccinelli a comprar uma escada para tucano nenhum pôr defeito, pela qual, ao término dessa balbúrdia de eleição terá escalado o mais alto muro da política estadual, por sobre ele, como diria, equilibrando-se até o ponto em possa parar para, sozinho ou no máximo em companhia de Edson Giroto e Osmar Gerônimo, dar belas gargalhadas de toda a galera que ficou embaixo sem entender picirica nenhuma do que ele acertou com sua fada madrinha.

Para quem não deve estar entendendo toda essa prosopopéia, uma boa pista é o curto diálogo que tive outro dia com o porta-voz do próprio Puccinelli, Guiherme Filho. Diplomático, como sempre, o decano jornalista deixou escapar qual seria o papel do chefe nestas eleições: o de grande protagonista. Junte-se a isso o fato de a candidata a vice de Nelsinho Trad ser a pastora e herdeira de um dos maiores rebanhos de gado bovino do Mato Grosso do Sul, Janete Morais dos Santos. Claro que pastora não lava dinheiro, mas pode comprar uma lavanderia. Jogo mais embaralhado ainda? E o Azambuja? Quem diria! Tirem suas conclusões, mas, é vero, a boca torta de Delcídio pode ser consequência do contágio com uma língua afiada e que anda coçando uma barbaridade – a do diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, preso por conta dessa coisa aí de retorno que anda provocando censura ao blog. Neste caso o D, maiúsculo, pomposo e em todas as corres, antes de Deus no céu e Delcídio na terra pode acabar minúsculo e simplesinho assim como o “d” do demo. Ou de derrota. Um tormento, mesmo, para quem estava de salto alto, achando que levava no primeiro turno e que agora evita até uma simulação de segundo.

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Delcídio e Grandão, sorrisos amarelos?

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