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A semana “D” de Delcídio do Amaral

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09/09/2014 – 06h17

Quando mandou chegar aos antigos amigos e colegas de Petrobras a assustadora declaração “se eu falar não vai ter eleição”, o ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso, e, agora delator desse que já supera o mensalão petista como o maior esquema de corrupção da história, não excluiu o Mato Grosso do Sul, onde seu companheiro Delcídio do Amaral disputa o governo do Estado. Se não poupou o capo Lula e sua preposta Dilma Rousseff, os presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Alves e Renan Calheiros; governadores, como Sérgio Cabral e Roseana Sarney, além de outras figuras e proa do PT, por que pouparia Delcídio? A menos que o pantaneiro não tenha nada a ver com isso. E Alguém, em sã consciência, acredita nisso? Se ficar provado que não, até eu voto nele. Acho, que até o Nelsinho Trad!

A primeira demonstração pública de desespero pelo estrago que poderia provocar este novo escândalo pela continuidade do assalto sem-cerimônia aos cofres públicos foi dada pelo próprio Delcídio do Amaral. Ele não quis esperar pela artilharia inimiga, saindo na defensiva já em seu primeiro programa eleitoral na TV. Tentou explicar o inexplicável. Sabia que a coisa era feia. Devia saber com que tipo de gente havia mexido e que o estrago seria grande. O mais recente recibo foi passado no programa “O povo na TV”. O senador não esperou o espevitado repórter Tatá Marques entrar no assunto, antecipando-se na “informação’ de que não banca sua campanha desviando dinheiro da saúde e da educação, “como muitos aqui, criando empresas-laranja”, disse. Colocado contra a parede, em vez de dar explicações sobre como financia sua milionária campanha (a mais cara do Brasil entre os candidatos a governador), preferiu dizer que “os outros”, citando Reinaldo Azambuja e Fábio Trad, fazem o mesmo.

Agora vem a bomba. Doze senadores e 59 deputados federais mamando nas gordas tetas da Petrobras. A revista Veja desta semana trouxe o que pode ser considerado um aperitivo. Mas o delator do esquema já antecipou que Lula sabia, sim, de tudo e mais um pouco. Paulo Costa garante que tratava das tramoias diretamente com o chefe. Magoado, diz que madame Dilma Rousseff também está encalacrada. O depoimento do PC do PT está só começando. Esta semana, para desespero de Delcídio & Cia., ele promete destrinchar o caso Pasadena, a refinaria americana superfaturada pela Petrobras para que sobrassem bilhões de dólares para toda a caterva petista e associados. Pasadena, lembrando, cujo diretor internacional, Nestor Cerveró, o apadrinhado de Delcídio, foi quem “induziu” madame Dilma, como chefe da Casa Civil e presidente do Conselho Administrativo da Petrobras a sacramentar o negócio nunca antes na história tão vantajoso. Para eles, claro.

Por que, então, Delcídio do Amaral ficaria de fora? Que sentido teria ele deixar o corpo-a-corpo da campanha eleitoral no friozinho gostoso do interior do Mato Grosso do Sul para encarar a secura de Brasília ajudando na media training dos convocados da CPI que investiga Pasadena? E ainda vem posar de bacana na televisão, dando de dedo em repórter? Coitadinho do Tatá Marques, quase apanhou só porque quis detalhes de seus investimentos na ilha de Santa Catarina. Aliás, este é outro assunto que perturba Delcídio uma barbaridade. É alguém ligar seu nome a Floripa e lá vem processo. E censura, como aconteceu com o Correio do Estado, com o Facebook e até com o Blog. Aqui, só porque fico batendo na incômoda tecla dos retornos da Uragano. A propósito da operação da PF que desbaratou esta quadrilha, aliás, alguém precisa lembrar Delcídio que houve, sim, desvio de dinheiro até da saúde. Se para ele ou para seus comparsas, são outros quinhentos, mas tudo comprovado, pela boca do próprio encarregado de gerir os recursos dos SUS em Dourados. Agora é aguardar a semana D, para conferir se, pelo menos no MS, vai ter ou não eleição. “Pode até ter eleição, mas o estrago será grande”. Palavras do PC do PT, o companheiro de Delcídio preso.

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Com este D, o de delação, ele não contava

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