11/09/2014 – 16h10
Um dia depois da sentença do Supremo Tribunal Federal que condenou o deputado Marçal Filho a dois anos e meio de prisão por falsidade ideológica – crime prescrito pela lentidão do judiciário – vem o ministro Ricardo Lewandowski, como se anunciasse o descobrimento da pólvora, dizendo, em sua posse como novo presidente da mesma Corte que justiça que tarda é justiça que falha. Nem parecia o mesmo Lewandowski das tantas procrastinações que provocaram acalorados debates com Joaquim Barbosa, seu antecessor e relator do mensalão, processo em que o agora presidente atuou como revisor.
Já não era sem tempo. E que o trocadilho invertendo o velho dito popular da justiça que tarda, mas não falha valha para o mesmo Marçal Filho, que, em companhia de seu colega federal Geraldo Resende e do senador e candidato a governador do Mato Grosso do Sul Delcídio do Amaral protagonizam inquéritos da Polícia Federal transformados em denúncia pela Procuradoria Geral da República e que continuam a passos de tartaruga no mesmo tribunal.
No inquérito 3.352, da Procuradoria Geral da República, nas mãos do ministro Marco Aurélio Melo, os deputados Marçal Filho e Geraldo Resende são denunciados por envolvimento com a quadrilha da Uragano. No caso de Delcídio, denunciado também pela PGE, no inquérito 3.778, que está nas mãos do ministro Roberto Barroso, a situação é ainda mais grave, pois contra ele, além dos módicos retornos da Uragano pesam denúncias de mutretagens na compra de turbinas nos tempos em que era diretor da Petrobras (assunto amplamente divulgado pela mídia nacional) e, mais recentemente, fortíssimos indícios de sua culpa em cartório também no milionário esquema de desvios de recursos na compra da refinaria de Pasadena, o que já está sendo considerado o maior escândalo de corrupção da história – o mensalão dois do PT.
Para se ter uma ideia da morosidade do judiciário que agora Lewandowski quer pôr pra correr, a última mexida no inquérito que investiga os crimes de Geraldo Resende e Marçal Filho, denunciados em 2010, foi feita agora, 18 de agosto, com pedidos de informações aos presidentes dos Bancos Central e do Brasil. Isto, depois da quebra de sigilo feita pela PF e pelo MP, que rastrearam movimentação financeira atípica nas contas bancárias dos parlamentares, ambos, que tanto se gabam por suas origens humildes, mas que, de repente, passaram a exibir padrão de vida incompatível com os salários da atividade parlamentar. Daí, inclusive, a falsidade ideológica que originou a condenação, agora, de Marçal Filho, por adquirir uma emissora de rádio em nome de laranjas. Como os três são candidatos, os deputados à reeleição e o senador a governador, que Lewandowski opere o milagre da celeridade jurisdicional. Como, no processo do mensalão o ministro deu toda a pinta de favorecer Zé Dirceu, o chefe da quadrilha do mensalão que teria contas a acertar com Delcídio do Amaral, vai que venha daí essa determinação em fazer, agora, as coisas acontecerem. Não deixa de ser uma nova entre as velhas ameaças à turma dos retornos. Que bom, para que o eleitor do Mato Grosso do Sul não corra o risco de cometer mais um desatino.
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