16/09/2014 – 15h51
Acabrunhado, muito mais com a impagável pedida de seu pupilo Marçal Filho para ser suplente de Simone Tebet ao Senado do que pela sempre alegada falta de tara do deputado para disputar eleição, André Puccinelli retornava para Campo Grande pensando em outro nome de Dourados, quando o piloto de sua aeronave avisou que precisariam sobrevoar a região e talvez até pousar em Maracaju, aguardando a melhora do tempo para um pouso seguro em Campo Grande. Foi aí que, apreciando, do alto, o imenso canavial de Celso Dal Lago, falou mais forte a intuição do governador. E aproveitou para matar dois coelhos com uma cajadada só, pois além de prestigiar Dourados na chapa peemedebista precisava resgatar o compromisso de fazer Celsão não apenas suplente, mas, quem sabe, desta vez, senador da República.
Mais forte ainda foi a intuição de Celso Dal Lago quando, convidado para compor a chapa de Simone Tebet, a única tida como favas contadas nessas eleições, resolveu comprar um par de botinas novas e deixar momentaneamente de lado seus afazeres na roça para cair na quiçaça em busca de votos para a filha de Ramez Tebet. Ainda mais depois de uma inusitada visita que recebeu não faz muitos dias da pastora Janete Moraes, filha de outro grande criador de gado, Antônio Moraes dos Santos. Sacolinha à mão, a candidata à vice-governadora na chapa do filho de seu amigo Nelson Trad viera a Dourados captar recursos para a campanha peemedebista. Pensa, que fase!
Problemas estruturais à parte, aos que insistem em suspeitar das boas intenções de André Puccinelli para com os douradenses, nunca antes na história o município esteve tão perto de, enfim, ter seu senador. É que da primeira vez que Dal Lago foi primeiro suplente a promessa era de que poderia assumir a cadeira de Juvêncio da Fonseca, então forte candidato a governador dali a quatro anos. Na pior das hipóteses, dois anos depois quando Juvêncio disputaria a prefeitura de Campo Grande. Nem uma coisa nem outra. Agora a situação se inverte, já que pelo andar da carruagem Simone Tebet pode ser candidata à prefeita de Campo Grande ou até retornar à prefeitura de sua promissora Três Lagoas, já em 2016. Num plano B de vovô Puccinelli, a senadora podendo disputar o governo do Estado daqui a quatro anos, independentemente de quem seja o eleito agora.
Conjeturas e intuições à parte, a intervenção de Celso Dal Lago é tão forte na campanha senatorial que outro dia, participando de um corpo-a-corpo no centro da cidade ele quase monta num porco. Ao se aproximar de uma caminhonete cujo motorista lhe acenava efusivamente, já preparava um de seus brados de vitória quando foi educadamente replicado pelo carona da voz sedosa e inconfundível: Alcides Bernal. Agora que o TSE autorizou a candidatura, também ao Senado, do prefeito cassado pelo esquadrão andrezista da edilidade campo-grandense, Dal Lago olha para a sola gasta da botina, passa a mão na cabeça e lembra conselho de André Puccinelli a Murilo Zauith na campanha contra Ari Artuzi à prefeitura de Dourados: além de uma nova botina, vai precisar passar muito sebo de grilo nas canelas.
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