23/09/2014 – 07h00
Faltando dois meses, apenas, para as eleições de 2010, quando a Polícia Federal desbaratou a quadrilha que assaltava os cofres da prefeitura de Dourados, na operação Uragano, não houve tempo suficiente para que o eleitorado processasse tanta informação e fizesse, nas urnas, o devido julgamento dos envolvidos. Até porque todas as atenções se voltavam então para os presos em flagrante, como o prefeito Ari Artuzi, parte de seu secretariado e a maioria dos vereadores, safando-se outros integrantes do grupo criminoso, por coincidência os que disputavam aquele pleito, como Geraldo Resende e Marçal Filho, cujas denúncias, por conta do tal foro privilegiado e da lentidão oceânica do judiciário, só agora começam a tramitar no Supremo Tribunal Federal.
Agora, abaixada a poeira do furacão (com Artuzi morto vítima de um câncer muito provavelmente agravado em consequência dessa tragédia em sua vida pessoal), é grande a expectativa quanto ao desempenho da turma do colarinho branco com contas a acertar na Justiça. Ou, com o eleitor. Até pelo que já é tido como uma das grandes injustiças, o que fizeram com o pobre Valdecir e alguns de seus companheiros, tidos como bagrinhos, pelo pouco que se provou contra eles, mas ficando a sensação de impunidade em relação aos tubarões uragânicos, como é o caso de Delcídio do Amaral, que mesmo sendo denunciado de forma contundente por um companheiro da administração petista de Laerte Tetila sequer foi indiciado.
Embora parecendo encomendada e sensacionalista, até por não trazer absolutamente nada de novo, veio em muito boa hora a reportagem-reprise de ontem do Correio do Estado, até para não ficar a impressão que tudo o que venho escrevendo ao longo desses quatro anos é coisa pessoal contra a turma do que aqui ficou conhecido como retorno, que quer dizer propina, ou, se preferirem, roubo, puro e simples, do dinheiro público.
O texto de Celso Bejarano valeu, entretanto, pela oportuna retrospectiva quanto à participação dos parlamentares douradenses candidatos à reeleição no esquema criminoso comandado por Artuzi. Quem sabe assim, diante da postura preocupantemente duvidosa de alguns ditos adversários majoritários, que preferem não se aprofundar na questão, desapareça esta espécie de magnetismo do eleitor em relação a quadrilheiros que insistem em buscar nas urnas a oportunidade de continuar se locupletando com o dinheiro público. É como se o Brasil e, particularmente, o Mato Grosso do Sul, nesses tempos de mensalões, estivesse ainda sob inspiração de um conceito nazista, sempre lembrado, como que de forma premonitória por Geraldo Resende em seus textos – o da mentira que contada mil vezes acabava se transformando em verdade. No caso, a ocultação da verdade, pela pusilanimidade de uma imprensa subordinada, o que talvez explique a posição de candidatos como Delcídio e Resende, mesmo chafurdados nesse mar de lama, no topo das pesquisas.
Mesmo assim – no caso de Delcídio do Amaral, é chegada a hora da confrontação com a verdade, senão com Nestor Cerveró ou Paulo Roberto Costa, por conta da roubalheira petista na Petrobras, nos debates desta reta final do primeiro turno – Geraldo Resende e Marçal Filho devem sentir, nestas eleições de 2014, o peso pelo envolvimento no maior escândalo de corrupção da história do Mato Grosso do Sul. Marçal, que nos tempos uragânicos dizia não ter toda essa tara de ser prefeito, agora, com a eleição perdida para federal voltando a chantagear com essa possibilidade, mesmo depois de condenado pelo colegiado do STF por falsidade ideológica e passando a ser, oficialmente, um ficha suja. Geraldo, do alto de sua arrogância, ainda arrotando grosso, mas isso até que Carlos Marun ou Tereza Cristina abram a mala preta, pois é com eles que disputa uma provável terceira vaga em sua coligação. Isto, se o demo Mandetta não levar a tiracolo o tucano Márcio Monteiro, já que Zeca do PT deve salvar a pele do primo Loubet ou não deixar sapecar o Biffi Antônio Carlos.
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