29/09/2014 – 10h35
O recado nem é tão subliminar, é quase que direto: “o que está bom nós vamos melhorar”. Por que Delcídio do Amaral, em tese, candidato de oposição ao governo do Estado, tem batido tanto nessa tecla desde o início do horário eleitoral? Muito mais pela conveniência dos números das pesquisas de intenções de voto que trazem também – para melhor orientação do eleitor – a avaliação dos governantes de plantão apontando André Puccinelli como o governador mais bem avaliado do Brasil, este discurso está atrelado às amarrações que permitem a dita sustentabilidade do governo petista em nível nacional, com o PMDB na base desta pirâmide.
Pragmatismo pouco é bobagem. Como o refinado Delcídio, nascido demo mas de plumagem tucana só se afeiçoou aos costumes petistas porque seu projeto político coincidiu com a ascensão de Zeca do PT e de Lula ao poder, as coisas começaram a clarear a partir do momento em que André Puccinelli parece ter se convencido com a argumentação do petista nas redes sociais quanto à necessidade de não deixar avançar para o interior do Estado a onda de Tradição que havia impregnado a política campo-grandense.
Ah, mas e a sensibilidade aflorada de André Puccinelli que transformou a fase desta pré-campanha eleitoral num verdadeiro rio de lágrimas? Como diria o poeta, o governador deve ter razões que a própria razão desconhece. Razões que Nelsinho Trad, cujo maior erro foi insistir em acreditar ser o ungido, só agora começa a desconfiar tê-las o ex-chefe. Tarde demais para chorar o leite derramado, não só o do laticínio de Puccinelli como o que esperava das vacas do rebanho douradense de Murilo Zauith em retribuição ao consistente apoio em Campo Grande na campanha de quatro anos atrás para o Senado. Nem o leite da vacaiada do milionário espólio Antônio Morais dos Santos parece suficiente para repor o estoque em apenas uma semana.
O que parecia ser o nó górdio dessa campanha foi desatado quando Londres Machado abriu mão de buscar a eternidade como “simples” deputado estadual, desde que, claro, se garantisse seu cadeirão à filha, para – para desconforto de Delcídio – sair candidato a vice-governador na chapa petista. Por que o cardeal fátima-sulense deixaria de continuar protagonista na Assembleia para ser coadjuvante no Parque dos Podres? Por que seu sucessor Jerson Domingos deixou de se candidatar a reeleição e também não fazendo questão do sempre tão ambicionado Tribunal de Contas? Por que Edson Giroto, o homem da mais alta confiança de Puccinelli (por coincidência no PR de Londres), depois de perder a prefeitura de Campo Grande para o Bernal, deixou de tentar a reeleição para deputado federal? Como é o secretário de obras do governador mais bem avaliado do Brasil, não seria justo, independentemente de qualquer outra injunção, que continuasse no cargo? Jerson dando as cartas no lugar de Osmar Gerônimo, que vai ocupar a vaga que era para ser sua no Tribunal de Contas, Londres com um sofá mais espaçoso no gabinete hoje de Simone Tebet, ali do ladinho de Delcídio, que certamente terá todo o tempo do mundo para curtir sua Floripa. Daí a certeza de que o que está bom eles vão melhorar. Que assim seja, até o retorno de vovô André Puccinelli.
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