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domingo, junho 28, 2026

O trauma – e a ojeriza – da censura e dos censores

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14/10/2014 – 17h28

Eufemismos tais como “Controle Social da Mídia”, “Regulação dos Meios de Comunicação” e “Marco Regulatório para a Comunicação” servem apenas para mascarar o desejo de setores do PT de censurar a imprensa e domá-la a seu bel-prazer. Querem torná-la o mais próximo possível de uma dócil imprensa oficial, a única a existir em seus paradigmas de regime — o cubano, por exemploIrapuã Costa Júnior, blogueiro.

Longe de mim ignorar a advertência para me abster de “achincalhar as ordens judiciais”, embutia em mais um dos já rotineiros despachos em que o juiz auxiliar Emerson Cafure (TRE/MS) acata mais um dos muitos pedidos de censura do senador e candidato a governador petista Delcídio do Amaral, mas isso me faz voltar um pouco no tempo, mais especificamente, ao auge dos anos de chumbo da ditadura militar. Com duas pitadinhas, só, da biografia do “injuriador”, “caluniador” e “difamador” de políticos agora denunciados por corrupção pela Procuradoria Geral da República e investigados pelo Supremo Tribunal Federal, como despretensiosa colaboração para a formação da convicção do magistrado na hora de sua sentença.

Lembro-me, como se fosse hoje, do folclórico cabo Otávio descendo de uma charrete em frente ao prédio da Folha de Dourados, na Marcelino Pires, no centro da cidade, com um “convite” ao nosso diretor, Theodorico Luiz Viegas, para uma conversinha de pé-de-orelha com o delegado de polícia, major PM Nelson Salomão Saigalli, na delegacia onde hoje está instalado o Corpo de Bombeiros de Dourados. Lá chegando, conversa vai, conversa vem, a respeito da construção de um presídio, que o jornal considerou um presente de grego do governo do Estado, o major, sentindo-se ofendido e debochado por seus parcos conhecimentos a respeito da lei de imprensa, desferiu um cruzado no queixo de Theodorico, que, massudo, revidou com vários socos. Preso em flagrante, o jornalista foi encaminhado ao quartel do 11º. Regimento de Cavalaria, em Ponta Porã. A truculência foi denunciada em mídia nacional e o jornalista, cabeça raspada, liberado uma semana depois.

 ***

Depois de desbravar o velho Mato Grosso, o engenheiro Pedro Pedrossian se preparava para retornar como primeiro governador de Mato Grosso do Sul. Contra ele, pesavam denúncias de irregularidades em sua gestão à frente da Noroeste do Brasil. Nos dias que antecediam sua nomeação, tida como certa, o senador Mendes Canale levou as denúncias à tribuna do Senado. Minha matéria especial sobre o caso foi censurada pela direção de O Progresso. Foi a gota d’água para meu pedido de demissão, depois das insistentes recomendações para que, se quisesse escrever o que pensava que montasse meu próprio jornal.

Antes que a história se repetisse joguei pelos ares o cargo mais cobiçado por qualquer jornalista em Mato Grosso do Sul – o de diretor de jornalismo da TV Morena. E pelo mesmo motivo, antes e depois, em todos os veículos pelos quais passei. Até o advento da internet, dos sites, primeiro os blogs, e, agora, das demais mídias sociais, como Facebook, Twitter e congêneres. E eu que um dia sonhei estar livre da maldita censura. Pior que o trauma pelo cerceamento da liberdade expressão é ojeriza, que por princípio cristão não deveria sentir dos que insistem na evocação de espíritos totalitários, de inspiração stalinista ou pelo sonho de implantação do chavismo no Brasil. Viva o mensalão, e o petrolão! Viva os uraganos! Viva o Delcídio do Amaral, o Geraldo Resende e o Marçal Filho! E perdoe, Senhor, a Dilma e o Lula, pois não sabiam de nada!

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Comemoração pela libertação de Theodorico (de chapéu), preso por

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