15/10/2014 – 17h13
Deflagrado, lá atrás, o processo eleitoral o governador André Puccinelli tanto brincou com essa história de cuidar dos netos, quando se esquivava de falar do que seria sua natural candidatura ao Senado, que parece que terá atendido o que muita gente duvida, ainda, ser o seu mais sincero desejo. Aposentadoria antecipada não só da maior liderança política do Estado, na esteira da iminente, acachapante e humilhante derrota (segundo pesquisas que não as do Ibope por uma diferença de cerca de duzentos mil votos) de Delcídio do Amaral, mas também outras eminentes e potenciais lideranças políticas vendo-se obrigadas a tirar o time de campo mais cedo.
Antes que alguém pergunte o porquê da análise pela ótica da derrota de Delcídio e não da vitória de Reinaldo, porque este é o lado inusitado da coisa, partindo-se da premissa de uma eleição polarizada entre PMDB e PT, com todo mundo apostando na vitória do petista, aí surgindo o azarão tucano, repetindo a história aqui já contada do Zé da Mala, que saiu candidato só para dar uma mãozinha na sublegenda a um companheiro e que acabou retornando à prefeitura de Glória de Dourados. Sem contar o toque emblemático que o marqueteiro lulomalufista Duda Mendonça tentou dar à campanha, aproveitando essa onda de otimismo para brincar com o “D” e a sonoridade do nome Delcídio, uma clara tentativa de endeusar seu candidato. Heresia demais, votos de menos.
Começando pelo o próprio Delcídio, que a partir desta que seria sua segunda derrota ao governo do Estado teria dificuldades para continuar na vida pública, não só pela invertida eleitoral, como pela saraivada de acusações de corrupção das quais terá que se livrar para tentar salvar o que resta de seu mandato de senador. E pelo seu candidato a vice, Londres Machado, que, decerto, imaginava tudo na vida, menos encerrar assim de forma tão melancólica sua tão longeva carreira política. Escaldado, no máximo, em 2018, Delcídio poderia tentar uma terceira reeleição. E é aí que o bicho pega.
Considere-se, de cara, o óbvio da coisa, que o novo Congresso, que Aécio Neves (alguém duvida, também, que será o novo presidente?) e que os novos governadores não moverão uma palha para mudar as regras de um jogo em andamento e que essa conversa mole de fim de reeleição só valha para os próximos mandatos. Reinado Azambuja teria tudo para se reeleger. Neste caso, André Puccinelli cutuca o ombro de seu pupilo Waldemir Moka e pede para ele sair de fininho, porque é chegada a sua vez? E Zeca do PT, que há tempos (como agora se vê) de forma premonitória vinha bravateando que irá tomar a cadeira do primo Moka, que não serviria a de Delcídio? Será que Moka e Delcídio entregam a rapadura assim tão facilmente? Não se esquecendo de Murilo Zauith, que segundo sua marqueteira Maria Antônia Gonçalves até lá terá se consagrado como o maior prefeito da história de Dourados e, como tal, estará prontinho para, enfim, transformar em realidade o sonho de também virar senador. E quem foi que falou que o mais ilustre representante do clã dos Trads, o Nelsinho, depois dessa chapuletada, não vai querer também dar o troco? Além desses, caciques como Jerson Domingos e João Leite Schimidt, que também perderão o rumo depois deste segundo turno. É muita gente pegando a bengalinha e colocando o pijama antes da hora. Ah, esse Ajambuja…
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