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O legado de Delcídio do Amaral ao Mato Grosso do Sul

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27/10/2014 – 04h24

Convicto da capacidade de discernimento do eleitorado sul-mato-grossense fazia dias que não pensava outra coisa senão como saborear o resultado das urnas nesta segunda-feira histórica. A começar por este texto, preocupado para não deixar me levar pela emoção, evitando repetir as bravatas de quando estouraram as operações Owari e Brothers, na sequência a Uragano, por tudo que havia adiantado, aqui mesmo, neste espaço, ante a incredulidade até de meus mais fiéis seguidores.

Por isso, pensei até mesmo em passar o dia de hoje de papo para o ar, simplesmente atravessando a rua para tomar uma cervejinha na padaria do Xitu’s, já ali pelas dez da manhã, ou quem sabe esticando até a Pedra para saber como estaria o fervo na CB (Central de Boatos) do Takeo. Pensei, também, em repetir a rotina dos velhos e bons tempos da Rádio Clube, quando, em companhia do saudoso Velho Tatau, depois das transmissões esportivas dos finais de semana, aproveitávamos a segunda-feira para pescar no Briante ou no Douradilho. Afinal, não é todo dia que um insubordinado do jornalismo – por isso mesmo censurado até a undécima hora do pleito eleitoral – tem tanto o que comemorar.

Mas, até por uma questão de segurança, resolvi sossegar o facho, limitando-me a um pedaço de pizza que além do atraso medonho nem era o encomendado (mas relevando o engano do entregador, certamente atarantado com a reeleição de Dilma Rousseff) e uns goles de uma cachaça especial (comemorativa ao aniversário de Gilberto Serrante), em cujo rótulo está estampado o famoso bordão – “para, para” – do amigo e empresário, talvez o que melhor possa traduzir este momento. Além do mais, para não dar o braço a torcer a Maria Antônia Ribeiro Gonçalves, nos últimos tempos mais preocupada com a minha imagem do que com a de quem é muitíssimo bem paga para cuidar – a de Murilo Zauith. Aliás, esta deve ser a primeira baixa na administração municipal decorrente do resultado de ontem das urnas, já que a marqueteira deve voltar de mala-e-cuia para Campo Grande, onde a irmã, vereadora Luíza Ribeiro e o cunhado Flávio Brito (por influência de Geraldo Resende) são os primeiros da fila na formação do governo Reinaldo Azambuja.

Para! Para! Para! Na verdade, assim, exclamativos, os três “paras” sempre repetidos por Serrante diante de uma inusitada situação servem para tranquilizar não apenas o eleitorado, mas toda a população do Mato Grosso do Sul, principalmente os investidores, quanto aos rumos do novo governo, a ser comandado pelo tucano Reinaldo Azambuja, até aqui deputado federal da bancada oposicionista. Não bastasse a vitória apertada contra Aécio Neves (o que deve fazer baixar um pouco a bola de Lula da Silva) fragilizada, e agora acuada, pela delação do doleiro Alberto Youssef, Dilma Rousseff talvez não tenha tempo para maiores retaliações contra o Mato Grosso do Sul. Isto, se chegar a ser reempossada, diante do iminente e inevitável processo de impeachment que deverá enfrentar no Congresso.

Para! Para! Para! Ia me esquecendo… Reinaldo Azambuja será o primeiro governador do Mato Grosso do Sul livre da tutela e das amarras da máfia londrina-assembleiana! Mais do que tudo o que mostrou na tentativa de convencer o eleitor durante esta campanha, talvez este tenha sido o melhor serviço prestado por Delcídio do Amaral ao Mato Grosso do Sul. Sua derrota (acachapante, como antecipei aqui) elimina, finalmente, a sombria figura de Londres Machado do mapa político do estado. E leva junto a do não menos mafioso Jerson Domingos.

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Acabou

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