30/10/2014 – 11h05
Intrigado pelo tanto que um graduado assessor de André Puccinelli repetia o nome de Rose Modesto toda vez que se referia a pesquisas qualitativas, durante uma conversa recheada de prognósticos e conjeturas a respeito do que ou de quem sobraria após o final do reinado do italiano, comecei a prestar mais atenção na – até então, para mim, apenas simpática – vereadora campo-grandense. Isto, naquela fase da pré-campanha em que a única certeza que se tinha era a eleição de Delcídio do Amaral para o lugar de Puccinelli, e, pela inédita aliança que se burilava na ourivesaria petista, a remota possibilidade de uma carona em muito boa hora para o tucano Reinaldo Azambuja voar da Câmara Federal para o Senado da Republica.
Terminado o périplo em que tentou pensar o estado junto com Delcídio (ainda bem que teve tempo de cair fora enquanto era tempo), eis que Reinaldo Azambuja surpreende, abandonando o projeto de senador, para sair candidato a governador. Surpresa maior: com chapa pura. Vice-governador? Não, vice-governadora – ela, Rose Modesto. Modesto ele, né, dando vazão ao burburinho de que havia mesmo fechado acordo com André Puccinelli para tentarem levar Nelsinho Trad ao segundo turno. Sim, pois se estivesse levando a coisa a sério buscaria outras alianças. Com Murilo Zauith, por exemplo, que havia sobrado no processo. Mas, um Azambuja modesto? Pode ser até que se encontre. Como Reinaldo não tem a cara nem a fama de brabo, que é a marca da família, digamos que foi… ousado!
Começada a campanha, lá vem Reinaldo Azambuja com outra surpresa: um jingle desses tipo chiclete, interpretado por artistas regionais, mas com ele no meio da turma, juntamente, claro, com Rose Modesto. Antes mesmo de conhecer a versão, cruzo com o chefe do tesouro de Zauith, Waltinho Carneiro, com seu feeling apuradíssimo, perguntando-me se já tinha ouvido a musiquinha. “É um arraso”, garantiu. Tanto era que o PT, com essa mania de censura, tratou logo de tirá-la do ar. E aí entra, de novo, Rose Modesto. Já que os artistas não podem cantar, canta ela! Sacou um violão, puxou Azambuja para seu lado e mandou ver: “agora vaaaai, Reinaldo!”. Pela letra da música, deu pra perceber que se acordo houve, com Puccinelli, acabou ali. Começava a valer minha “profecia” do Zé da Mala – a história do candidato que entra para dar uma mãozinha, mas que acaba no alto do pódio.
Professora Rose Modesto, vice-governadora eleita do azarão Reinaldo Azambuja. A mais grata surpresa da eleição que vai passar para a história por ter encerrado o mais longo e sombrio período de mando político do Estado – o de Londres Machado, que leva com ele para o sepulcro político Jerson Domingos e João Leite Schimidt, entre outras figurinhas carimbadas. Tanto que nem bem terminou o velório e, pasmem, já anunciaram até o primeiro concurso público da história da Assembleia Legislativa. Pode ser o começo do fim de uma das muitas bandalheiras – o cabidão de empregos (sem contar os fantasmas) para parentes e apaniguados de suas excelências. Que Reinaldo Azambuja consiga se livrar de algumas velharias de sua coligação de campanha e use, no governo, o novo representado por sua vice Rose Modesto como símbolo, ou referência, para a prometida mudança de verdade, e que não fique ele, também, refém ou manietado pela máfia assembleiana e dos poderes vizinhos.
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