03/11/2014 – 06h58
Por que Adão Parizotto arriscaria despentear sua tão bem cuidada cabeleira aboletando-se na carroceria de uma caminhonete no sol escaldante desta primavera infernal, na antevéspera do segundo-turno? Será que só pelo prazer de aparecer na foto ao lado de Delcídio do Amaral e Londres Machado, em plena Marcelino Pires? Por que o “até a próxima” de Délia Razuk, nos outdoors espalhados pela cidade em que, ao agradecer os votos que lhe deram a primeira suplência de deputada estadual no grupo da morte do PMDB ela faz questão de lembrar que pela terceira vez é a mais votada em Dourados? Por que o prefeito Murilo Zauith está deslocando Marinisa Misoguchi para Secretaria de Assistência Social, a que lida mais diretamente com o povão?
Nem bem passada a ressaca eleitoral, com a companheirada petista ainda lambendo as feridas da guerra perdida com Delcídio do Amaral, parece cedo demais para este tipo de elucubração, mas quem conseguir acertar as três respostas pode estar saindo na frente no exercício de futurologia quanto ao nome do sucessor de Zauith. Isto porque, é com base nos votos que saíram das urnas em três de outubro, para deputado estadual, federal e senador, somados aos de governador dos dois turnos que se vai medir o potencial de cada partido ou coligação. Não confundir, que fique claro, soma de votos (e aí já dando pra se vislumbrar a formação de alguns grupos muito fortes) para efeito de eleição municipal, com nomes isolados daqueles que precisaram garimpar votos estado afora para se eleger, exceção a Geraldo Resende, pela primeira vez cacifado pela boa votação obtida no município, batendo, inclusive o superstar Marçal Filho, mas com todas as pendências da Uragano que poderão inviabilizar seu projeto.
Depois de sua estreia no contato com o povão, naquele 18 de outubro, Adão Parizotto, há algum tempo, já, picado pela tal mosca azul, desceu daquela desconfortável carroceria de caminhonete condicionando seu futuro político à vitória de Delcídio do Amaral para o governo do Estado. Mas, diante da fubecada de seu candidato, e do alto preço que certamente pagou pela carona, da “mão do Braz” até o centro da cidade, como bom empresário, não restou alternativa a não ser disputar a prefeitura pelo PDT, com o apoio da ala delcidiana da petezada. Délia Razuk (como bem indica a setinha que Anita Tetslaff colocou na foto do outdoor para realçar o até breve), nenhuma dúvida de que será candidata, tanto que já avisou à cúpula peemedebista que está de mala prontas para deixar o partido que dificultou sua chegada à Assembleia e pelo qual, não tem dúvidas, também, seria mais difícil ainda o retorno à prefeitura. Com Marinisa, Murilo Zauith, que passou em branco nessas eleições, tenta repetir a fórmula “gerentona” de Lula, que deu certo com Dilma Rousseff, forjando aquela que entende como a mais qualificada de seu time, para a sua sucessão.
Fácil assim? E como fica o sonho de Zé Teixeira, pela sexta vez reeleito estadual, ainda mais agora como homem forte do governador Reinaldo Azambuja? E José Carlos Barbosinha, antes tido como o sonho de consumo do próprio Murilo? E João Grandão, em seu retorno do pesadelo depois de sumir com as sirenes das ambulâncias das sanguessugas? Como, para ser prefeito é preciso ter voto no município, ou pintar como fenômeno eleitoral, o que não é o caso desses três, Délia Razuk leva vantagem, podendo, por exemplo, juntar descontentes peemedebistas como Marçal Filho e sua amada Keliana, que se escafedeu depois da eleição, ou Celso Dal Lago, agora senador suplente, com mais bala na agulha, se é que não vai se engraçar também. Mas, e os votos de Parizotto? Com a sobrevida de George Takimoto, ideólogo de sua candidatura, entra na categoria “fenômeno”, que pode vir a ser. O benemérito gaúcho de Espumoso seria uma versão mais asséptica do conterrâneo de São Valentin, ídolo do pobrerio douradense desencarnado recentemente. Além da água de cheiro, ele é que tem, e muita, bala na agulha.
←TEXTO ANTERIOR ouPÁGINA INICIAL→


