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A vingança uragânica pode ser maligna

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14/01/2015 – 11h04

Num ato suprapartidário promovido por seu vice-prefeito Carlinhos Cantor no auditório da Associação Comercial e Industrial logo no início de sua administração, para o lançamento de uma campanha pela eleição de um senador por Dourados (na eleição de 2010), um pilhado Ari Valdecir Artuzi pega pelo braço um desajeitado Murilo Zauith, então vice-governador do Estado, e dá um ultimato: “Então Murilo, você quer ou não quer ser senador, tem que falar, porque se não quiser eu sou candidato em 2016”. Não falou se a senador ou a governador.

Claro que se tudo tivesse dado certo com a primeira administração do espevitado Valdecir hoje a história (do Azambuja, inclusive) seria outra, ele estaria cumprindo seu segundo mandato como prefeito, e, tudo correndo bem, com chances até de se eleger governador ou senador em 2018. Ousadia para isso não faltava. Sidlei Alves estaria indo para o segundo mandato como deputado estadual, talvez Júnior Teixeira retornando à Câmara Federal, e outros vereadores, como Marcelo Barros, José Carlos Cimatti, Aurélio Bonato e Zézinho da Farmácia também poderiam ter virado deputados, além do próprio Carlinhos Cantor, que promovera aquele evento sonhando em ser ele o candidato a senador. Isto, se não tivesse dado a louca no Valdecir e ele não tivesse renunciado à prefeitura para disputar o senado ou até mesmo o governo, já no ano passado.

Futuro do pretérito? Pode ser. Mas ao convocar Murilo Zauith, seu principal adversário, para marchar com ele e anunciar sua pretensão de alçar voos mais altos na política estadual, nem bem iniciada uma administração que prometia fazer a diferença, principalmente com a pobreza (como o PT faz na parte de cima do Brasil), Valdecir Artuzi assustou meio mundo e selou sua sorte. O que viria depois, como se viu, seria uma conspiração do destino (com a providencial ajuda de um alcaguete que não suportava ouvir falar de pau-de-arara) contra o caminhoneiro dos pampas meteoricamente transformado num fenômeno eleitoral.

O tempo passa, o tempo voa e a poupança dos retornos continua numa boa. A adaptação da letra da propaganda do falecido Bamerindus deveria servir de alerta a alguns desatentos assessores municipais, que certamente jamais poderiam acreditar na devoção de fanáticos seguidores de Artuzi dispostos a vingar o idolatrado chefe, arquivando, fotografando e gravando tudo. Daí o inusitado da demissão de Waltinho Carneiro da Secretaria de Fazenda, motivada por cerca de setenta denúncias que poderiam levá-lo à cadeia. Já imaginou, o homem de confiança do prefeito atrás das grades? Seria o fim do mundo! Pior que a Uragano. Vingança maligna, dos uraganos. Pior, extensiva ao legislativo, onde a construção dos sonhos, que justificou a reeleição de Idenor Machado, outro apaniguado de Zauith, pode se transformar em pesadelo, já que insistem no arcaico jeito de fazer política misturando o público com o privado, principalmente quando se trata de arquitetar a melhoria de vida de amigos, cupinchas e familiares.

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Tudo de novo, será?

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