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Políticos trocam pijama por terno e gravata

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30/01/2015 – 11h05

Em fevereiro, logo após as férias forenses (31 de janeiro), o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, vai apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF), suas indicações para abertura de investigações ou denúncias contra políticos envolvidos em corrupção na Petrobras. Afinal, as investigações da operação Lava Jato rastrearam a “mão grande” de desvio de dinheiro na Petrobras colocando parte de altos funcionários dessa estatal na condição de réus em ações penais. Além deles, estão presos proprietários e executivos de grandes empreiteiras que atuaram nos episódios do que o povo costumou chamar, jurídica e inapropriadamente de roubo do Petrolão.

Agora, também no imaginário popular a Justiça deve estar preparando o “nó do enforcado” para ajustar as contas de políticos corruptos, corruptores e “meros” simpatizantes ao crime… Então a porca começou a torcer o rabo, freneticamente. O que faltava era a Justiça aceitar a delação premiada do ex doleiro Alberto Youssef e isso aconteceu através do ministro do STF Teori Zavascki que é quem analisará os documentos da Lava Jato. Por causa dessa determinante o réu Alberto Youssef não mais poderá se negar a responder aos questionamentos que lhe foram feitos, além de que tem por obrigação apresentar documentos e mais provas materiais sobre envolvimento de quantos se enfiaram nesse crime.

Porém, é preciso muita atenção nessa ora porque já houve a operação Castelo de Areia que, aos olhos do povo, parece que foi desmoronada pelo Superior Tribunal de Justiça que lhe travou a “construção”. Essa foi mais uma eficiente e eficaz ação da Polícia Federal que teve por objetivo investigar o pagamento de propinas para agentes públicos. Se tivesse continuado como queria a PF, quem sabe teriam sido evitados, de há muito, os desmandos financeiros que hoje envergonham ao país. Os federais chegaram a cumprir mandados de busca e apreensão na Camargo Corrêa, construtora cujo diretor-presidente, Dalton Avancini, o vice-presidente, Eduardo Hermelino Leite, e o presidente do Conselho de Administração, João Ricardo Auler, acabaram presos na “Lava Jato”.

Veja que, naquela época a “Castelo de Areia” foi prejudicada. Uma liminar do ministro Cesar Asfor Rocha impediu a continuação das investigações. Depois, o Superior Tribunal de Justiça anulou as provas colhidas, e, por consequência, todo o trabalho da Polícia Federal ficou prejudicado. Contudo, tem um recurso no STF tentando reabrir a operação Castelo de Areia, o que possivelmente não ocorrerá, até porque a Lava Jato tornou-se mais abrangente e de muito maior repercussão.

Por sua vez a operação Lava Jato está em sua sétima fase e começa a mexer com os nervos e hormônios dos que temem ver seus nomes citados pelos réus presos. A política entra numa fase de efervescência. O PT e o PMDB que teriam indicado diretores da Petrobras estão pisando em ovos, pois temem denúncias de que políticos até com mandatos no Congresso Nacional possam ser acusados, denunciados e tornados réus porque teriam indicado diretores com relação a empreiteiros citados na operação.
Tem petista e peemedebista que todo dia acorda com o cabelo em pé, louco pra ver os noticiários sobre a operação Laja Jato. Nem políticos da oposição estão tranquilos e, de vez em quando, sofrem um piriri de chuveirinho, com medo de terem explorados seus relacionamentos com réus, denunciados e acusados. Se em Ribas do Rio Pardo o presidente da Câmara Municipal, teria fugido da ação policial para não ser preso de pijama, pulando a janela, então, outros políticos regionais ou de expressão nacional, por esse e outros motivos, devem estar dormindo de terno e gravata… Afinal, a operação Lava Jato não é para limpar piriri nem lavar cabelo em pé de ninguém.

De todo esse episódio que tem prejudicado a população, empreendedores, empresários de toda ordem, honestos e esfolados pelos impostos e corrupção que sangram a vida brasileira resta-nos o trabalho dignificante da Polícia Federal e Ministério Público Federal. Pessoas honradas existem em todo setor da vida nacional como os maus caracteres também estão aí em todos os lugares. Não nos desesperemos, nem percamos as esperanças de dias melhores. O meu bom dia, o meu bom dia pra vocês.

Ruy Sant’Anna/Jornalista e advogado

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