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Murilo rejeita o pirulito de Azambuja

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02/02/2015 – 10h23

Ao ver a senadora Simone Tebet toda atrapalhada ontem na cabine “indevassável” da eleição para a presidência do Senado, disparou o dispositivo de busca no escaninho da memória para encontrar o texto “A política do pirulito”, publicado em 27 de setembro de 2002, onde – a propósito da ascensão de Ramez Tebet à mesma cadeira que a filha agora preferiu deixar continuar com Renan Calheiros – abordava da conformação de Dourados com sua condição de província, aceitando passivamente as determinações do caciquismo político do Estado e engolindo, já naquela época, mais um candidato a vice-governador. Doze anos se passaram e, agora, nem isso. Sequer, um carguinho de segundo escalão no governo Azambuja.

Naquela ocasião já recorria a experiências anteriores mostrando que Dourados não levava nenhuma vantagem com essa história de vice, citando como exemplo o fiasco das amarrações políticas das indicações de Humberto Teixeira como companheiro de chapa de Ricardo Bacha e de Waldir Guerra de Pedro Pedrossian, quando só João Leite Schimidt vislumbrou a eleição de Zeca do PT, indicando o conterrâneo de sua Coxim, Moacir Kohl.

Antes disso, quando Dourados conseguiu emplacar vice-governadores, George Takimoto foi “contemplado” com um casarão alugado de Wilson Carneiro para abrigar meia dúzia de apaniguados, com isso não ameaçando fazer sombra ao titular, Marcelo Miranda, e Braz Melo ganhando a gerência do Mercosul, também para não incomodar Wilson Martins em Campo Grande. Depois disso, a geladeira em que Zeca do PT colocou Egon KKK foi tão grande que o guasca douradense se escafedeu, e Murilo Zauith se contentando com uma sinecura para seu pupilo Waltinho Carneiro, que, mesmo ficando quatro anos de ladinho com André Puccinelli parece não ter aprendido como se dá nó em pingo d’água.

Nesses doze anos, o único fato novo – e auspicioso! – da política douradense foi o fenômeno Valdecir Artuzi. Tão “felomenal” que de assessor de um tio vereador, “entregando” doentes em portas de hospitais, assumindo a vaga deixada pelo próprio tio na Câmara Municipal, onde não esquentaria a cadeira, indo para a Assembleia, de onde, já na condição de fenômeno eleitoral, dali a seis anos, viraria prefeito. E, claro, se não fosse com tanta sede ao pote, quem sabe tivesse sido o tão sonhado primeiro senador ou governador douradense.

Menos mal que depois do que parece ter sido um longo período de hibernação (ou seria de curtição pela realização do sonho de ser prefeito?) – Murilo Zauith parece ter acordado. Não importa se mais pelos alertas emitidos pela Polícia Federal ou Ministério Público do que pelos solavancos a bordo da perua oficial trafegando pelas esburacadas ruas e avenidas de Dourados. Ao rejeitar o cabidão de empregos proposto por Reinaldo Azambuja em foma de “governo regionalizado” como compensação pelo não aproveitamento de ninguém da cidade no governo o prefeito dá um significativo passo para que a segunda maior cidade do Estado faça valer o seu peso eleitoral, colocando um fim à política do pirulito.

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