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O consenso para um bom

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09/02/2015 – 21h40

Por que Reinaldo Azambuja consumiu todo o primeiro mês de seu governo tentando construir um consenso em torno da eleição da mesa diretora da Assembleia Legislativa e, agora, depois do insucesso de seu preposto Sergio de Paula como negociador político, não conseguindo emplacar o avalista de campanha Zé Teixeira na presidência, parece que vai passar fevereiro inteiro, ainda, em vez de governando, enfim, o Estado, negociando a ida de um cupincha para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (a mais importante delas) da mesma Assembleia? Por que esta inquietante e desesperada busca do chefe do poder executivo pelo mando, também, do poder legislativo?

Não fosse o foco da análise o estado de apodrecimento a que chegou a classe política talvez a resposta pudesse ser encontrada no painel de votação da Câmara dos Deputados em que dois estreantes – Carlos Marun (PMDB) e Zeca do PT – pelo Mato Grosso do Sul, para a decepção e estupefação de seus eleitores, votaram pela não instalação e, consequentemente, não investigação do maior escândalo de corrupção da história da humanidade – o petrolão petista. Que o veterano petista Vander Loubet, na alça de mira do mesmo esquema, tivesse coerência, não é difícil de entender. O mesmo, do pedetista Dagoberto Nogueira, de retorno, ops!, por seu passado pra lá de comprometedor. Antes disso, comandante em chefe Lula da Silva e sua preposta Dilma Rousseff à frente, no esforço concentrado de todo o staff petista para derrotar o insubordinado peemedebista carioca Eduardo Cunha, em cuja eleição estão depositadas as últimas esperanças de salvação do que sobrou do esquartejado governo brasileiro.

Assim, sem consenso, o risco que Dilma corre lá Reinaldo corre cá. Se com Cunha na presidência da Câmara Federal o risco de impeachment da senhora Rousseff passa a ser concreto, com o também Junior Mochi na Assembleia Azambuja pode, quanto a isso, até dormir tranquilo, por enquanto, a menos que comece a embromar André Puccinelli e Nelsinho Trad na quitação das duplicadas de campanha. O que impunha a necessidade de consenso em todo Parque dos Poderes era o espectro da Uragano, a operação de combate a corrupção que devastou a emergente classe política douradense sob a batuta de Ari Artuzi e espalhou seus tentáculos por gabinetes legislativos, executivos e do judiciário da capital morena. E aí, sem consenso, seria braquiária, como se diz na província, de mamando a caducando.

No olho do furacão, consensos e dissensos. Mesmo refém da máfia fátima-sulense instalada na política do Mato Grosso do Sul desde sua criação, Murilo Zauith leva a Câmara Municipal de barrigada. Isto, graças ao consenso da esquisita reeleição do pupilo Idenor Machado para a presidência às vésperas do primeiro turno das eleições gerais do ano passado. Tanto que, supondo-se aposentado da política e tentando recuperar o tempo com ela perdido, havendo já especulações quanto ao seu retorno às atividades empresariais, com a expansão de sua Unigran para além do divisor de águas da rua Ponta Porã, depois de umas braçadas no que restou das piscinas do antigo Clube Samambaia, seguindo pelo corredor público herdado da família Milan, até chegar ao velho campo da Liga Esportiva Douradense de Amadores – a LEDA, cujas negociações para a venda a um grupo empresarial local passam pelo “consenso” da mesma Câmara. Como Zauith não é de misturar o público com o privado, claro que não deve ter sido esta a razão do consenso em torno da reeleição para a presidência da Câmara daquele que já é apontado como seu preferido para a sua própria cadeira na prefeitura. O mesmo não podendo se afirmar, entretanto, da proposta consensual de venda do atual prédio para a construção da futura sede do Palácio Jaguaribe. Até pelo forte cheiro de maracutaia que vai dos altos da Marcelino até o Parque das Nações, ficando a impressão de que Idenor Machado (o mais hábil comprador de carteiras escolares para o município em todos os tempos) é o único com competência para esse tipo de negócio, em que pese a sempre providencial intermediação do todo-poderoso secretário de governo José Jorge Leite Zito Filho. Certamente, para melhor controlar essa coisa de retorno.

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O presidente do consenso, Idenor Machado

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