25/02/2015 – 09h15
Com um olho no peixe e outro no gato, o PMDB de Mato Grosso do Sul pensa um projeto para as próximas eleições com o que tem em mãos, mas não deixa de se preocupar com os rumos que a Justiça pode determinar para o partido. Nelsinho Trad (PMDB) não consegue se desvencilhar do mais emblemático caso de improbidade de sua gestão, o Caso GISA (Gerenciamento de Informações em Saúde).
A questão chega a ser preocupante, neste momento, em função das duas ações ajuizadas pelo MPF (Ministério Público Federal) contra o ex-prefeito Nelson Trad Filho; seu ex-secretário Municipal de Saúde Pública e atual deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM); mais 24 pessoas entre servidores públicos e empresários, além das empresas contratadas.
Caso seja condenado, Nelsinho Trad poderá ficar inelegível por 8 anos. Mesmo que recorra da decisão, adiando a condenação, está cada vez mais fragilizado politicamente em Mato Grosso do Sul, onde mesmo contando com o peso da máquina estadual coordenada por André Puccinelli e a história do partido, amargou o terceiro lugar na disputa pelo governo do Estado nas últimas eleições.
Mamão com açúcar
Ainda que os peemedebistas não confirmem a existência de rivalidade entre o ex-governador e o ex-prefeito, e sequer admitam que existem dois grupos definidos lutando pelo controle do partido, o maioritário de André e uma parcela menor de fiéis a Nelsinho, fica claro o mal-estar entre ambos, em eventos aos quais comparecem.
Mais essa ação, de uma série que acompanha o ex-prefeito durante toda a sua carreira política, deve esvaziar o grupo de Nelsinho e causar transtornos do tipo “filho pródigo”, que retorna à casa cabisbaixo e arrependido; “rebeldes sem causa” que irão proferir discursos sobre supostas traições daqueles que se beneficiaram do político enquanto este exercia o poder; e o grupo menor, dos “fiéis” que acompanharão Nelsinho para qual partido se transferir, acompanhado de, pelo menos, um dos irmãos.
Para o que seria uma difícil convivência para André Puccinelli e um entrave para engrossar o partido com lideranças do estado em condições de competir com chances de sucesso nas eleições de 2016, a ação do MPF foi um prato de mamão com açúcar a ser saboreado pelo ex-governador.
As diferenças de métodos e personalidades e a disputa de nomes para compor esse ou aquele grupo, deixa de existir. Pessoas do partido, após a reunião havida esta semana, comentavam que Nelsinho não tem cacife para atrair lideranças do estado, porque não as conhece. E lembram o fiasco de sua passagem pela Secretaria de Relações Institucionais Municipais, criada especialmente para que Nelsinho formasse uma sólida base para sua candidatura ao governo do Estado.
O ex-prefeito não conhecia presidentes das Câmaras Municipais, vice-prefeitos, e até prefeitos de vários municípios, além de não conseguir falar na mesma língua. Ninguém, enfim, acreditava nesse noivado André-Nelsinho, mas muitos temiam (e ainda temem, porque apesar da denúncia o acordo está mantido) pelo futuro do PMDB.
Dirceu Martins/MS Notícias

