05/03/2015 – 07h43
Faz realmente muito tempo que milito na política partidária. Não exatamente como candidato (nesse caso, apenas a experiência na eleição do senador Delcídio do Amaral e, recentemente, como o candidato ao Senado na chapa de Reinaldo Azambuja): a primeira com sucesso, posto que fui eleito primeiro suplente e, por isso, tornei-me senador da República por 121 dias; a segunda, mais bem sucedida, ainda, eis que colaborei decisivamente na eleição de Reinaldo Azambuja e, principalmente, na derrota do senador Amaral. Aparentemente, portanto, duas experiências vitoriosas. No caso da vitória de Azambuja, ainda não sei ao certo pois seus assessores maiores abriram um largo fosso a nos separar. Fosso que se amplia dia após dia.
Pois bem. Mesmo com grande experiência política, partidária e eleitoral, descubro infelizmente que tudo sei mas nada sei. Já havia aprendido, com o senador Delcídio do Amaral, que apoiar candidatos não gera nenhum tipo de gratidão. Ao contrário. Mas pensava que, com Azambuja, seria diferente. Mas não foi. Por isso, disse que “tudo sei, mas nada sei”.
Mas, voltando ao meu aprendizado, descobri que a política, por mais que se saiba, a gente sempre encontra enormes novidades. Foi assim que, surpreso vi, na semana passada, o governador Reinaldo Azambuja negar que pretenda disputar a reeleição. Nesse caso, o que já havia aprendido, não se perdeu: político que abre mão de perspectivas futuras aos seus companheiros de campanha, cristaliza o mais grave erro que poderia cometer. Desde o anúncio, de Reinaldo Azambuja, de que não mais disputará a releição, como era de se esperar, ele próprio começou a afugentar aliados que perderam entusiasmo de continuar ladeando-o. E já iniciaram, em boa parte, a busca por caminhos mais seguros como, por exemplo, o do escritório do ex-governador André Puccinelli.
Parece-me que o governador Reinaldo Azambuja, que montou uma equipe política de experiência duvidosa, tropeçou em si mesmo, empurrado por conselheiros de competência menos que mediana. EduardoRiedel, um jovem ainda recém-nascido na política, nada sabe; Sérgio de Paula, sabe o suficiente para envolver-se em confusões desde o tempo em que foi secretário da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul). Mas fala demais e constrói segurança política de menos…
Como assim caminha a Humanidade, dou-me o direito de pensar que o governador Azambuja, depois de muito acusar o ex-governador Puccinelli, agora terá que tentar tomar as rédeas políticas de sua administração, sob pena de enfrentar dificuldades maiores.
Terá que, daqui a pouco, dar satisfações aos que o apoiaram. Baixando a alíquota do diesel, intervindo no fim prometido do Imposto Garantido, melhorando a saúde com soluções definitivas e não apenas paliativas e tudo mais que prometeu, a começar pela política de segurança pública eficiente. Como até agora o que vi são críticas e mais críticas, continuo esperando pelas prometidas soluções, que ainda existem apenas no campo dos sonhos. Por enquanto, continuarei aprendendo. Já sei que tudo sei e nada sei.
Antonio João Hugo Rodrigues/Correio do Estado

