20/03/2015 – 11h02
A tão decantada reforma eleitoral que o Congresso Nacional faz de conta que está votando, só para desviar a atenção dos holofotes dos parlamentares (os presidentes das duas Casas, inclusive, Renan Calheiros e Eduardo Cunha) envolvidos no Petrolão, prevê, entre outras coisas, a prorrogação dos mandatos dos atuais prefeitos ou uma eleição de seis anos para seus sucessores, como forma de coincidirem as eleições, de mamando a caducando (de vereador a presidente da República) já em 2018 ou quatro anos depois.
“Buiaquinho”
A propósito deste tema, especialmente num dia de eclipse solar, mesmo que parcial, como o desta sexta-feira, seria o caso de dar razão ao ex-secretário de Fazenda preferido de Zauith, o famoso (mais ainda depois de exonerado) Waltinho Carneiro, para quem o ex-chefe não se limitou a nascer com o fiofó virado para a lua, mas com a dita cuja enfiada no cheirosinho.
Há controvérsias
Como a partir de sua polêmica e nebulosa exoneração há que se dar um desconto para tudo o que até ali Waltinho Carneiro vinha dizendo, há quem diga que neste caso, tanta sorte não é bem vista assim por Murilo Zauith, cuja primeira pergunta que faz no despacho diário com a toda-poderosa Andreia Vieira, ainda no trajeto entre sua residência e o gabinete, é quantos dias ainda faltam para tudo isso acabar.
Lambuja
Na linha do raciocínio de Waltinho Carneiro, a marqueteira Maria Antonia Ribeiro Gonçalves teria aproveitado sua recente viagem ao Rio de Janeiro para algumas oferendas a Iemanjá em agradecimento ao possível esticamento de sua conta publicitária com a prefeitura por mais dois anos. Com uma promessa a mais: se der Geraldo Resende como sucessor de seu idolatrado Mumu, com o que, na pior das hipóteses, ganharia mais quatro anos de polpudas comissões, podendo até entrar para o Guiness como a Agência de Publicidade mais longeva em um único órgão público, a rainha do mar ganharia um caminhão de rosas no primeiro 2 de fevereiro subsequente à eleição.
Ufa!
Mas os motivos que levam Maria Antonia a se apegar não apenas a Iemanjá, mas a rezar também para todos outros os santos, não são apenas de ordem mercantilista. Sua torcida para que a coisa se prolongue mais um pouco é para que se cumpra sua previsão de que Murilo vai terminar sua administração deixando a cidade com um tapete, ou seja, tudo asfaltado. Esse tudo, incluindo, claro, vilas como os Jardins Carisma e Pelicano, onde, hoje, em alguns trechos o trânsito só é possível de trator.
Justíssimo
Como pegou o bonde de onde caiu o Valdecir Artuzi andando, caso tenha o mandato prorrogado por mais dois anos, Murilo Zauith chegaria muito próximo de João Totó Câmara, Laerte Tetila e Braz Melo, os três que até agora permaneceram oito anos no poder. Antes de Zauith, apenas Tetila, reeleito, os outros dois com mandatos intercalados. Como diria o coronel Belarmino, personagem do sempre impagável e imortal José Wilker, na novela Renascer, “é justo, muito justo. Aliás, justíssimo”.
Nove fora…
Neste estica-e-puxa de mandatos de prefeitos e vereadores Dourados viveu duas situações interessantes. José Elias Moreira, eleito em 1976 para um mandato de quatro anos e até aqui (pelo jeito por muito tempo ainda) imbatível como o maior administrador da história, ganhou dois anos de lambuja, para que houvesse a coincidência de mandatos, nas eleições de1982. Com isso, seu sucessor Luiz Antônio Álvares Gonçalves foi eleito para um mandato de seis anos, para que as coisas voltassem a ser como antes, a partir da eleição de 1988, quando Braz Melo foi eleito da primeira vez.
Pesquisa
Como este é um tema que não deve interessar à Maria Antonia do Instituto de Pesquisas Televox, para se evitar surpresas desagradáveis, fica a sugestão à gloriosa folha de dourados para uma de suas próximas enquetes.
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