30/03/2015 – 08h56
Foi, no mínimo, de uma ingenuidade oceânica a primeira ação internacional daquele que se apresenta como a grande promessa de empreendedorismo no time de Reinaldo Azambuja, o secretário de governo do tão badalado sistema S/Fiems, Eduardo Riedel. Uma gafe histórica levar o chefe para uma reunião na residência oficial do presidente paraguaio Horacio Manuel Cartes Jaram. Pra quem não sabe antes de se sentar na cadeira do lendário dom Alfredo Stroessner, Horacio Cartes foi, é e continuará sendo o patrão do tabaco do país hermano e, como tal, senão maior contrabandista o maior beneficiado pelo produto que substitui o narcotráfico como catalisador de poder no Paraguai.
Ações integradas
Tudo bem, nada de colocar caraminholas na cabeça dos leitores, mas já que havia tanta pressa de tratar de “ações integradas de defesa sanitária”, de “logística e infraestrutura de transporte”, e de um “projeto integrado de desenvolvimento empresarial na região de fronteiras com indústrias complementares”, as duas autoridades bem que poderiam se encontrar discretamente, na fronteira. Como medida de economia, por que não na casa do companheiro tucano Flávio Kayatt, em Ponta Porã? No máximo, como bom exemplo para o fomento do comércio fronteiriço, uma esticadinha ao brechó da Casa China, para um lanche com uma tradicional chilenita do Raulitos!
Combate ao contrabando?
O que é isso companheiro? Este é um tema proibido num encontro cujo cicerone é o maior interessado em deixar tudo como está para ver como é que fica. No máximo, jogo de palavras como “termo de cooperação entre entidades dos governos mato-grossense-do-sul e Paraguai para definição dos critérios de comercialização de produtos de origem paraguaia”. Pelo menos o redator da Secom estadual caprichou no texto.
O fim da “picaretagem”
Mas nem só de gafes como o encontro com o contrabandista-presidente paraguaio ou a nomeação do mensaleiro Valdenir Machado como “governador regional” de Dourados vive o governo Azambuja. Na área de comunicação, os sites “CTRL+C / CTRL+V” (que só copiam e colam releases, depois apresentando a fatura ao governo e às prefeituras) parecem estar com os dias contatos. Pelo menos esta é a intenção do subsecretário de comunicação, Rodrigo Mendes Ribeiro.
Devezenquandários
Pra quem não se lembra os sites que só chupam matérias, na maioria das vezes sequer sem citar as fontes vieram para, nesses tempos em que impera a informática, substituir os antigos devezenquandários – os jornais impressos, a maioria semanários – que eram o tormento de governadores, prefeitos e afins. Muitos desses, famosos achacadores, fizeram fortunas em Mato Grosso do Sul.
Fim da mamata
Como quem chega de fora com carta branca para pôr ordem na bagunça, Mendes Ribeiro também está dando um chega-pra-lá nos mal-acostumados donos de jornalões, alguns mais quebrados que arroz de terceira e não menos picaretas e achacadores, mas que não perdem a pose (e o sorriso) acreditando, de verdade, serem mesmo o tal quarto poder. Diante da verbinha mixuruca oferecida pelo novo secretário, já mandaram dizer que preferem falar com o “dono dos porcos”. No caso, o Chefe da Casa Civil, que tem a chave do cofre do din-din da Comunicação, Sérgio de Paula. Como De Paula não é de conversa mole, mas desses que partem direto para a censura, pode ser que batam, também, com a cara na porta.
Efeito Delcídio
Quando a coisa desanda, não tem jeito. Menina dos olhos do governo Lula/Dilma, a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), inaugurada com pompa e circunstância pelo criador às vésperas da eleição da criatura depois que até médicos ali formados já clinicavam Brasil afora, vai ser administrada pela oposição. A chapa “UFGD Livre”, encabeçada por Liane Calage, venceu a eleição para reitor e vice da instituição. O atual reitor Damião Duque de Farias, petista de carteirinha e tido como carta na manga do PT para a sucessão de Murilo Zauith, foi o grande derrotado. Ele mesmo, em reunião fechada com a companheirada, já havia alertado para os perigos do “efeito Delcídio”, numa comparação com o salto alto do candidato por ele apoiado, o professor João Carlos de Souza, ao seu padrinho político, senador Delcídio do Amaral, nas últimas eleições para o governo do Estado.
Sem retorno
Em tempos de retornos milionários do mensalão e do petrolão (que todo mundo imaginava o maior escândalo de corrupção da história, mas já pintando o da Receita Federal, três vezes maior, e, pior, na iminência do que seria o tsunami do BNDES), em termos de Dourados pode parecer umas quirerinhas, mas de muita valia para a combalida companheirada o não menos milionário orçamento da UFGD. São 180 milhões para a gastança anual, mais do que o da maioria dos municípios do MS, fora os 32 cargos de livre nomeação entre pró-reitores e coordenadorias.
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