19/05/2015 – 10h20
O mais novo balão-de-ensaio da sucessão do prefeito Murilo Zauith, de verdade, verdadeira, não tem nadica de nada de novo. Uma fórmula surrada e antiga, em que a última coisa que conta são os reais – e urgentes – interesses do município. Tanto que o protagonista de agora, radialista Marçal Filho, vem a ser afilhado (não confundir com afiliado político, já que o padrinho de batismo foi o primeiro por ele traído politicamente) de Jorge Antônio Salomão – o famoso radialista de “A bronca” que lá no final da década de l960 desancava diariamente a administração Totó Câmara e só por isso virou candidato e acabou prefeito de Dourados.
Em que pese seu confesso desinteresse pela disputa – “não tenho tara para esse negócio de ser prefeito” –, conforme diálogo uragânico no dia em que pediu R$ 2 milhões a Ari Artuzi para com ele não concorrer em 2012, Marçal Filho estaria sendo sondado por gente ligada ao governo do Estado para voar do prédio das araras para o ninho tucano na condição de candidato a prefeito. Uma espécie de tertius, que supriria a lacuna como candidato governista e que poria fim ao imbróglio peemedebista, amansando (será?) Geraldo Resende e impedindo a debandada de Délia Razuk. Mais, e aí se repetindo a fórmula inventada por Totó Câmara para “destruir” seu algoz radiofônico da época, senão com o apoio, pelo menos com a condescendência de Murilo Zauith, encarregado de colocar a bomba com o estopim aceso no colo de seu maior crítico.
Ninguém melhor que alguém que não tem tara de ser prefeito para desempenhar este tipo papel. E como o castigo costuma vir a cavalo, não só Marçal Filho se enterrando de vez, politicamente, como aqueles que tentaram enganar a população na última eleição estadual começando a confessar seus pecados, na esperança de um perdão, já que não há como não identificar as digitais de André Puccinelli e de seu sucessor na assinatura deste projeto, cujo objetivo final é entregar a prefeitura alguém mais palatável ao sistema, que mexa bem o doce nessa área de selo azul, alguém, quem sabe, como Adão Parizotto. Neste caso, até Delcídio do Amaral assinaria embaixo.
Nessa linha de castigo que vem a cavalo ou de purgação de pecados antes que o povo se atine e mude tudo em 2018, melhor um prefeito com o perfil empresarial do benemérito Parizotto do que com o do radialista que fala muito e pouco faz. Ao entregar a prefeitura ao inexperiente Jorge Antônio Salomão, Totó queria apenas e tão somente “destruir” seu algoz. Quase acabou com Dourados. André e Azambuja podem até estar querendo jogar para a plateia usando Marçal Filho para se livrarem de Geraldo Resende e de Délia Razuk, mas nenhuma dúvida de que se a empreitada tiver apoio de Zauith será por inspiração de seu companheiro de chapa em sua primeira tentativa de se eleger prefeito. Só falta combinar com o tal do povão.
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