27/05/2015 – 08h24
Os médicos da prefeitura de Campo Grande continuam em greve. Esta foi a decisão aprovada em nova assembleia realizada na noite de ontem, para analisar a proposta da administração municipal, que acreditava por fim a greve da categoria que já dura 12 dias. Os profissionais reafirmaram a necessidade de pelo menos um reajuste pelo índice da inflação, pouco mais de 8%, mesmo que seja até escalonado. Outro ponto exigido é que não haja perda de postos de trabalho.
A assembleia contou com a presença do secretário da Federação Nacional de Médicos, Eglif de Negreiros Filho, que ressaltou que sua entidade representa 435 mil médicos em todo país e que vieram a Campo Grande para dar apoio a categoria. “Não aceitamos a maneira como a prefeitura está conduzindo este processo, temos um quadro médico de qualidade aqui, mas precisa de locais dignos de trabalho”, disse.
Após vários dias em paralisação, a prefeitura apresentou hoje uma proposta para a categoria, que não prevê reajuste, mas a devolução imediata das gratificações a partir já deste mês de junho e o que ficou sem pagar em abril e maio, seria dividido em seis vezes. Com isso, o secretário municipal e Saúde, Jamal Salem, acreditava no fim da greve. “Queremos ao menos o índice da inflação, que pode ser escalonado. Se o secretário de saúde aceitar a proposta da assembleia de hoje podemos assinar o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) amanhã mesmo, sem precisar de nova assembleia”, apontou o presidente do Sinmed (Sindicato dos Médicos), Valdir Shigueiro Siroma. Com isto a greve pdoe acabar na quinta-feira
Há tempo
Valdir ressaltou que a categoria desde o ano passado pede melhores condições de trabalho, segurança e valorização, no entanto neste ano a prefeitura além de cortar gratificações, ainda sugeriu o índice zero de reajuste.
“Já tivemos várias reuniões, mas sempre os representantes da prefeitura não tinham autonomia para fechar acordo, por isso continuamos com a greve, porém com responsabilidade, tanto que 30% dos médicos estão trabalhando”, disse.
Valdir salientou que são 1.400 médicos na Capital, sendo 706 concursados, mas que eles buscam um acerto com a prefeitura, já que não escolheram esta profissão para “fazer greve” e sim para “salvar vidas”. “A greve é um instrumento legal do trabalhador, mas que foi a última alternativa, sendo inclusive a primeira vez da categoria no Estado”, finalizou.
Sem cortes
O titular da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Dr. Jamal (PR), afirmou durante depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Contas Públicas na Câmara Municipal, que a prefeitura não fará mais cortes na saúde para enxugar as contas do município.
“Na saúde você faz previsão de gastos que acabam sendo diferentes na prática. Não tem como economizar na saúde porque saúde é vida”, afirmou o secretário aos vereadores na tarde desta terça-feira (26).
Jamal, que também é médico, disse ainda que o pedido feito pela administração municipal foi de uma economia mensal de R$ 10 milhões nos gastos da Sesau. Até agora, com diminuição no número de plantões, demissões de comissionados e corte de algumas gratificações a economia já chegou a aproximadamente R$ 5 milhões.
Do montante economizado, parte, cerca de R$ 1,4 milhão, relativo às gratificações cortadas dos médicos, deve ser devolvida à categoria, caso o Sindicato dos Médicos aceite a proposta do município. (link matéria).
“Não deveria ter feito corte porque são estímulos para os médicos trabalharem, principalmente nas unidades básicas para fortalecer a atenção básica”, afirmou o secretário.

