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André começa por Dourados o retorno ao Parque dos Poderes

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08/06/2015 – 04h08

Alguém se lembra daquela historinha de cuidar dos netos depois que deixasse o governo? Ou do neologismo “vovorista”? Parece que faz tanto tempo, né. Parece, não, faz tanto tempo que já está aí, de novo, a disputa pela cadeira mais cobiçada do Parque dos Poderes – aquela que pelas contas de André Puccinelli deveria ser dele por pelo menos dezesseis anos, mas, que, depois de mais um desses “casuísmos” do Congresso Nacional ele já se dá por satisfeito com um retorno, que seja, de mais quatro anos. Este o verdadeiro motivo de sua visita, como se chefe do Estado ainda fosse, com todas as formalidades, hoje a Dourados.

Mas esta sua primeira incursão interiorana após ter deixado o governo não era para tentar apaziguar o PMDB (com mais candidatos que eleitores) para a eleição do ano que vem? Que nada! Depois do culepe que levou do Valdecir Artuzi em 2008 na tentativa de – já, ali – se livrar de Murilo Zauith, à época seu vice-governador, André ficou com um pé atrás com o eleitorado douradense. E, se, contrariando pelo menos três potenciais candidatos peemedebistas, mexeu os pauzinhos para fazer Zauith prefeito na eleição-tampão pós-uragânica e, depois, dando uma mãozinha também na reeleição foi para não pôr em risco seu projeto de levar a queridinha Simone Tebet para o Senado em 2014. Isto, depois do empenho para eleger o não menos queridinho Waldemir Moka, contra o mesmo Murilo, em 2010.

Maior que o amor pelos netos é a coceira provocada pelo tal bicho-carpinteiro que não deixa André Puccinelli ficar quieto. Isto, sem levar em conta aquele probleminha que afeta também Lula da Silva, que ao descer a rampa do Palácio do Planalto, depois de passar a faixa à preposta Dilma Rousseff, já previa dificuldades para “desencarnar” do poder. Neste caso, a situação de André é um pouco mais difícil, pela forma como urdiu a entrega de sua bendita cadeira a Reinaldo Azambuja, embora, pelo andar da carruagem, o sucessor não devesse se fazer de rogado, aceitando, antes que seja tarde, a oferta do antecessor para dar uma mãozinha lá na governadoria.

Quanto à missão de hoje em Dourados, mesmo que insista, com o peso de sua liderança, André Puccinelli dificilmente conseguiria meter o bedelho no processo sucessório, já a todo vapor. Ele sabe que Geraldo Resende não abre mão, mas leva em conta a densidade eleitoral calcada no trabalho social que credencia Délia Razuk, não descarta Celso Dal Lago, suplente de senador e, mais que ninguém, tem consciência do quanto é chantagista seu pupilo Marçal Filho, que fala não ter tara para essa coisa de ser prefeito, mas que não para de se assanhar para o tucano Azambuja depois, claro, de tantos de$aforo$ de Zé Teixeira. Daí, desde que faça as pazes com Murilo Zauith, o máximo que ele poderia fazer é sondar a possibilidade de um tertius, ou o tal do poste, o que só faria encompridar a lista do PMDB, com nomes que agradariam ao prefeito, como o de seu secretário de saúde, Sebastião Nogueira ou do presidente da Aced, Antônio Nogueira, além do vice-prefeito Odilon Azambuja. E nessa de agradar o prefeito – aí já colocando o Azambuja na roda, para começar a pagar a conta de 2014 – não se descartando esquecerem o PMDB, como fizeram ali atrás, para apoiarem o demo Zé Teixeira ou José Carlos Barbosa. Neste caso, não Freud, mas Maquiavel explica, já que o grande beneficiado seria o aliado de primeira hora George Takimoto, com a eleição de seu poste Adão Parizotto, o que agradaria Delcídio do Amaral, que ficaria em Brasília mais quatro anos para que André retorne sem maiores problemas ao Parque dos Poderes, numa dessas Zauith tendo uma segunda chance contra Moka para disputar o Senado.

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André, Parizotto e Takimoto

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