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Londres faz piada na TV, prometendo o “novo” na política

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25/06/2015 – 10h26

Que o ex-deputado Londres Machado é a maior raposa da política do Mato Grosso do Sul, quiçá uma das maiores do Brasil, todo mundo sabe. Que é um “grande” companheiro, famoso por não deixar aliados à beira da estrada, também. A novidade, agora, talvez pelo ócio “de matar” para quem passou a maior parte da vida mandando, daí sua condição de recordista brasileiro em mandatos estaduais consecutivos, é que o humilde vendedor de máquinas de costura, contabilista e bacharel em direito num desses cursos vagos de antigamente e que fez fortuna na política é também um grande piadista.

Que sua pimpolha e sucessora política, deputada Graziella Machado, apareça nas inserções a que o PR (Partido da República) tem direito na TV, falando de seu orgulho de ser a deputada mais votada da história, como se isso fosse mérito pessoal e não do pai, vá lá. Que Graziella, na mesma propaganda, faça apologia ao novo na política, também é compreensível. Quem assiste apenas a fala da jovem deputada fica com a sensação de que ela tenta fazer um mea-culpa pela biografia do pai, talvez pela consciência de que ter longevidade política não é ter necessariamente do que se orgulhar. Não precisando ir muito longe, bastando o exemplo da família Sarney, no Maranhão. O duro, para quem continua no sofá da sala de TV, é ver na sequência da criatura o criador, com o discurso na mesma linha. Convenhamos, né, Londres Machado falando de “novo” na política, como se diz no populacho, “é pra acabá”.

Tanto não era piadista que Londres Machado nunca falou tão sério quando apresentou a Pedro Pedrossian uma estância que era a coqueluche entre as propriedades rurais da época, entre Fátima do Sul e Vicentina, ao fazer a observação de que se tratava de um “sítio”, apenas, porque havia durado muito pouco (nem 30 dias) suas duas interinidades no governo do Estado – na transição do governo Harry Amorim para o de Marcelo Miranda e, deste, para o próprio Pedrossian. Aliás, e a propósito da mais aguda crise econômica dos últimos 25 anos, a presidente Dilma Rousseff não sabe o que está perdendo, pois que tem entre as fileiras de partidos da base aliada alguém certamente muito mais preparado que seu ministro da Fazenda Joaquim Levy, já que ninguém melhor que Londres Machado para operar o milagre da multiplicação orçamentária. Uma das maiores fortunas do Mato Grosso do Sul, construída com salário de deputado estadual. Tudo bem que não se trata de um simples ex-deputado, já que bateu recorde também como presidente da Assembleia, mas, mesmo, assim, um feito extraordinário.

Não que Londres Machado deva estar gostando desta nova condição, mas a contribuição compulsória que dá ao anedotário político é consequência do único passo em falso dado em sua longeva carreira, ao embarcar na canoa furada de Delcídio do Amaral. Oficialmente sem mandato, mas mandando como sempre (tanto que nem chegou a desocupar o gabinete agora ocupado pela filha na Assembleia), usa o partido para exercer o poder. Em seu novo mister, nesta fase de cooptação com vistas às eleições do ano que vem, a mais nova piada que gosta de contar, para atrair novos aliados, é a de que depois de oito anos de humilhação no governo de André Puccinelli conseguiu “tomar” o ex-deputado e atualmente o número dois do Ministério dos Transportes, Edson Giroto, do arquirrival fátima-sulense. Dá pra acreditar? Seria este o “novo” da política por ele prometido? Só rindo, mesmo.

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Londres faz piada na TV, prometendo o “novo” na política

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