04/07/2015 – 18h24
Como diz um antigo dito popular, o castigo vem a cavalo. Quem se deu ao trabalho de ler o mixuruca direito de resposta de Valdenir Machado aqui no Blog deve se lembrar de dois itens que reforçam a tal verdade que ele diz estar trazendo à tona: “Durante os mandatos exercidos como deputado estadual recebi os proventos previstos por lei e nada mais; não respondo a nenhum processo oriundo da atividade parlamentar”. Isto, para limpar sua barra, depois da crítica ao governador Reinaldo Azambuja pelo que o blog entendeu ser um deboche a nomeação de um mensaleiro da Assembleia para uma sinecura regional em Dourados.
Muito bem. Nem foi preciso esperar o início do julgamento do mérito da ação em que o ex-deputado, a exemplo de seu chefe, Sérgio de Paula, tenta censurar o blog. Muito menos a sentença, para, aí, sim, se ter a verdadeira dimensão da participação de Valdenir Machado no que poderá, ainda, ser o maior escândalo de corrupção do Mato Grosso do Sul – o mensalão da Assembleia Legislativa, escancarado por Ary Rigo na esteira da douradense operação Uragano. No mesmo dia, sem que houvesse tempo para comemorações da repercussão no Facebook de sua dita “verdade” vinda à tona, outra verdade, esta, do juiz David de Oliveira Gomes Filho, titular da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, de Campo Grande, declarou nula, por demais escandalosa e inconstitucional, a aposentadoria de sete ex-deputados estaduais. Entre eles, o famoso “pintadinho” do Panambi, o mesmo Valdenir Machado que acabava de escrever que tudo o que ganhou como deputado fora decorrente de proventos previstos em lei e que não respondia a nenhum processo.
A ação popular que acaba com a farra das aposentadorias é antiga, começou com uma enorme relação de parlamentares, desde o período da instalação da primeira legislatura, na década de 1980, tanto que muitos dos arrolados inicialmente já estão gozando da aposentadoria celestial, como Ayres Marques, Nelson Buainain, Horácio Cersózimo e Nelson Trad, mas, depois de marchas, contramarchas e muitas chicanes, afunilando-se para uma relação de apenas sete privilegiados. Além de Valdenir Machado, o também douradense Humberto Teixeira, e, acreditem, até o pobrezinho Londres Machado.
A extinção das aposentadorias desses ex-deputados – num momento em que os brasileiros de bem não têm mais onde enfiar a cara pela vergonha da farra com o dinheiro público – a condenação de Valdenir Machado e seus pares é o de menos. Afinal, partindo-se do pressuposto da acusação que gerou o processo de Valdenir contra o Blog, se já debochava de Dourados ao nomear um mensaleiro para uma sinecura regional, Azambuja agora terá aumentado seu deleite ao saber que além de mensaleiro seu preposto legislou em causa própria e, agora condenado, dando motivo para que se livre de um cabo eleitoral tão incômodo. A questão maior é o tamanho da batata quente que o juiz David de Oliveira Gomes Filho põe no colo dos Desembargadores do Tribunal de Justiça do MS. Para quem não sabe ou não se lembra, a primeira vez que este Blog foi censurado foi a pedido de Londres Machado e de Ari Rigo, exatamente pela denuncia de compadrio entre a Assembleia e seu vizinho TJ/MS. Eis aí a grande oportunidade para desembargadores, como o enviado do Alto, Eduardo Machado Rocha, provarem que o blog estava mentindo.
←TEXTO ANTERIOR ouPÁGINA INICIAL→

