11/08/2015 – 09h49
Segundo candidato mais votado a senador nas eleições de 2014, o médico e presidente da Caixa de Assistência dos Servidores Publicos (Cassems), Ricardo Ayache, nega que estaria desligando-se hoje do PT para filiar-se ao PTB, segundo publicou o jornal “Correio do Estado” desta segunda-feira, 10. “Quem disse que eu sairia hoje do PT? Ou que eu estou ingressando no PTB? Eu não fui ouvido para essa reportagem”, afirmou.
Ayache reconhece existir a possibilidade de deixar o PT e admite que recebeu convites de vários partidos, entre os quais o PTB. Porém, pontua que se confirmar a hipótese de abrigar-se numa nova legenda, estaria terá de ser compatível com um projeto político e ideológico de centro-esquerda. Não é o caso do PTB, um partido que hoje no Brasil identifica-se com as teses e setores de centro-direita.
Ayache nega que a possibilidade de sair do PT seja reflexo de questões pessoais ou da necessidade de garantir sua candidatura a prefeito de Campo Grande em 2016. “Jamais farei política partidária com a imposição de projetos pessoais”, afiança. “Se estou em um partido, devo seguir a perspectiva do caminhar coletivo desse partido. Então, o que espero, e pelo que eu luto, é que o PT faça uma avaliação, ou uma reavaliação, de seus principais desafios internos, para saber o que pode ser feito para cristalizar sua unidade interna e apontar as formas mais eficientes de responder aos seus desafios, tanto os políticos e ideológicos quanto os eleitorais”, analisa.
Segundo Ayache, é honroso ser convidado pelo PTB e outras forças políticas, porém não tomará outro caminho enquanto não se resolver dentro do cenário de soluções do PT. “Se o debate é sobre 2016, mesmo que meu nome esteja presente, sei que o partido tem outras opções de peso, de densidade política e eleitoral. Temos o deputado federal Zeca, o Pedro Kemp, o Amarildo Cruz, entre outros. Eu não quero e nem vou atropelar ninguém, quero ser produto de entendimento, de convergências”, reforça.
Ainda assim, Ayache sabe que no caso da disputa de 2016 precisa decidir logo se permanece no PT ou adota nova sigla. Esgota-se o tempo para trocar de legendas. As novas regras eleitorais cogitam abrir uma “janela” para garantir a candidatura de quem não tiver esse tipo de respaldo nos partidos aos quais estão filiados.
No PT de Campo Grande, mesmo alicerçada no apoio de Delcídio Amaral, líder do Governo no Senado, a pré-candidatura de Ayache ainda enfrenta resistências de correntes que batem contra os projetos do senador. Se a alternativa do PTB não for atrativa ideologicamente para quem se diz interessado em seguir um caminho de centro-esquerda, as passadas de Ayache estariam mais próximas de legendas como as do PSB, PV, PHS e PDT.
Nas eleições de 2014, em sua estreia na disputa por mandatos políticos, Ayache destacou-se com uma votação surpreendente que o introduziu no primeiro plano das lideraças políticas sulmatogrossenses. Com seis concorrentes para a única vaga ao Senado, Simone Tebet, do PMDB, apoiada pelo governador André Puccinelli e a máquina do Governo, confirmou o favoritismo e teve 640.336 votos. Ayache ficou em segundo lugar, com 281.022 votos, à frente do ex-prefeito Alcides Bernal, do PP (204.262) e do empresário e dirigente do Grupo “Correio do Estado”, Antonio João Hugo Rodrigues, do PSD (86.971).(MS Notícias)

