11/08/2015 – 23h24
O deputado Zé Teixeira quase vai à loucura, literalmente, toda vez que é citado como laranja – ou testa-de-ferro – dos irmãos Fernando e Aurélio Rocha, donos da Campina Verde (a cerealista que deitou e rolou durante a farra do regime especial do governo Zeca do PT) que foram presos por lesar o fisco, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, em meados de 2006. Desta vez o demo deixou de lado as ameaças, sempre na base “ajoelhou tem que rezar” e, antes que tivesse outra de suas sapitucas, resolveu registrar um B.O. na polícia, numa indisfarçável tentativa de intimidar o titular do Blog. Maravilha! Quem sabe assim, com o Ministério Público entrando (se é que já não entrou) na parada, a justiça consiga acabar com uma das mais descaradas e escandalosas roubalheiras do dinheiro público do Estado.
Para começo de conversa, não é, no mínimo, inusitado que um simples escritório de compra e venda de gado nos fundos do prédio caindo aos pedaços da antiga farmácia de Arnulpho Fioravanti, no centro de Dourados, de repente transfira suas instalações para uma portentosa sede envidraçada às margens da BR-163, mudando também a atividade, entrando para o ramo cerealista? Será que os peões de fazenda, compradores e vendedores de bois de seu Zé Teixeira se converteram, num passe de mágica, nos maiores entendidos do mercado internacional de soja? Ou será que o repentino sucesso do novo empreendimento se deve a alguma providencial parceria?
É só uma coincidência que tudo tenha acontecido justamente após a saída da Campina Verde do Mercado cujos operadores são unânimes em reconhecer o know how de Aurélio Rocha na contabilidade do tal regime especial e do irmão Fernandão dando o suporte na área política (leia-se secretaria de Fazenda do Estado). Tudo bem que os dias que eles passaram atrás das grades da Polícia Federal devem ter compensado pela fortuna que devem ter feito no curto período em que monopolizaram o comércio de compra e venda de cereais no Estado, mas não consta que tenham parado de operar ou que estejam desempregados. Aliás, para desbancar multinacionais como a Cargil, por exemplo, na compra de cereais, só mesmo quem tem um CEO que seja suprassumo do negócio. Afinal, para fazer a alegria dos produtores com preços sempre tão vantajosos é preciso ter lastro, daí a garantia, sempre, de um bom retorno.
Nesses tempos de Petrolão, de Lava Jato e da nossa já tão familiar Lama Asfáltica, não custa lembrar, a propósito, o discurso de campanha de André Puccinelli ao governo, do “adeus Campina Verde”, pela voracidade com que os irmãos Rocha saqueavam os cofres estaduais durante o governo petista. Um adeusinho de araque, como se viu. Se com Zeca a contabilidade era feita na Facit de manivela, com gente da confiança de Londres Machado para fazer os cambiocós nas Exatorias, com André, além de especial, o regime passou a ser informatizado, com direito a selo e senha digital a uns poucos privilegiados. Em que pese toda a arrogância e soberba de Zé Teixeira, principalmente depois que toma uns goles, pode ser que seus chiliques, a ponto de dar parte de jornalista na polícia, se devam a preocupação com a quitação de duplicatas de campanha eleitoral por ele avalizada, embora não dê para acreditar que Reinaldo Azambuja, o homem que prometeu a tal “mudança de verdade” vá lançar mão dos mesmos e surrados recursos de seus antecessores.
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