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O poder de Eduardo Cunha está diminuindo?

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17/08/2015 – 08h42

No momento, as contas de Dilma ainda estão sendo analisadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que provavelmente vai recomendar sua rejeição e depois encaminhar os documentos ao Congresso. Antes de o STF entrar em cena, Cunha esperava usar seu poder para colocar logo as contas em votação e manobrar uma nova reprovação, debilitando ainda mais o governo. Renan, porém, já declarou publicamente que a análise das contas não é prioritária.

Ainda assim, o Planalto não conseguiu tudo que queria no tribunal. Numa decisão salomônica, o ministro Luís Roberto Barroso diminuiu o poder de Cunha, mas também afirmou que as contas de governos anteriores já votadas pela Câmara não devem ser anuladas. Ele foi, assim, contra o desejo do Planalto.

Na mesma noite em que Barroso analisou o caso, Cunha também sofreu outro arranhão. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou em parecer enviado ao STF que o peemedebista está fazendo uso da estrutura do Estado para fins pessoais.

Recentemente, Cunha usou a prerrogativa de presidente da Câmara para acionar a Advocacia-Geral da União, com o objetivo de anular provas colhidas no centro de informática da Câmara durante uma das etapas da Operação Lava Jato – em que ele aparece como suspeito de ter recebido propina.

Os últimos acontecimentos ocorreram em meio à expectativa de que Cunha venha a ser denunciado nas próximas semanas pelo Ministério Público Federal (MPF) por lavagem de dinheiro e corrupção por causa do seu envolvimento na Lava Jato – o lobista Julio Camargo, um dos delatores que está colaborando com o MPF, afirmou que Cunha cobrou propina de 5 milhões de reais num negócio da Petrobras com a Samsung que envolvia o aluguel de sondas marítimas.

Declínio?

Especialistas ouvidos pela DW Brasil, no entanto, têm opiniões contrárias sobre se a derrota de Cunha no STF pode marcar um ponto de virada no poder acumulado pelo deputado, que nos últimos meses vem dificultando a vida do governo ao usar sua influência na Câmara.

“Isso sinaliza que o governo está aos poucos conseguindo isolar Eduardo Cunha e procurando uma saída para a crise. O deputado ainda tem bastante artilharia para causar estragos, mas perdeu uma de suas principais armas”, afirma o sociológo Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Já Ricardo Ismael, diretor do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio, afirma que é preciso cautela para analisar o momento. “Foi uma semana ruim para Cunha, mas eu não consideraria isso uma tendência ou que ele esteja prestes a se tornar uma carta fora do baralho.”

Ambos, no entanto, concordam que a decisão do STF, na prática, fortalece ainda mais Calheiros, que tem sido a aposta do Planalto para acabar com a crise.

Nas últimas semanas, o senador vem assumindo uma posição de fiador da estabilidade. Nesta semana, junto com outros membros do PMDB, ele apresentou a chamada Agenda Brasil, um conjunto de propostas – algumas muito polêmicas – para retomar o crescimento da economia e tentar desviar o foco das ameaças de impeachment da presidente.

Cunha, apesar de ser do mesmo partido, não foi convidado a participar das discussões. Em público, ele desdenhou das propostas e disse que tudo “não passa de um jogo de espuma sem conteúdo”.

Na opinião de Prando, no entanto, o fortalecimento de Calheiros não significa que o fim da crise começa a se desenhar. “Não se pode esquecer que Renan também está implicado no escândalo da Lava Jato, e pode se voltar contra o governo caso seja denunciado, e nesse caso ele vai ter muito mais poder do que Cunha para combater o governo”, afirma.

Ismael também concorda que a crise está longe de acabar. “É falsa essa percepção de que, se Cunha fosse deletado de uma hora para outra, a vida do governo ficaria mais fácil. Não se pode esquecer que o Congresso é uma instituição bicameral. Não se pode jogar toda a responsabilidade no Senado, esperando que ele faça o trabalho da Câmara. Os projetos precisam passar pela casa. E, com ou sem Cunha, o governo vai continuar sem uma base estável e confiável. O Planalto não consegue nem fazer deputados petistas votarem de acordo com o seu interesse. Cunha tem poder de influenciar a pauta, mas, no final, são deputados que acabam votando, e nesse ponto o Planalto não está conseguido influenciar”, diz. (Jean-Philip Struck)

Os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros e Eduardo Cunha

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