01/09/2015 – 14h32
O presidente afastado da empreiteira Odebrecht, Marcelo Odebrecht, afirmou nesta terça-feira (1º) à CPI da Petrobras que “não tenho o que dedurar”, rejeitando a hipótese de um acordo de colaboração premiada na Operação Lava Jato, e disse que a investigação está causando “desgaste desnecessário”.
Ressaltando aos deputados que não poderia comentar detalhes das acusações que responde na Justiça, porque serão defendidas pelos seus advogados no processo, Marcelo foi o primeiro executivo da empreiteira Odebrecht a responder perguntas da CPI nesta sessão.
Também foram ouvidos outros quatro executivos da Odebrecht: Márcio Faria, Rogério Araújo, César Ramos e Alexandrino Alencar, mas todos ficaram calados.
Marcelo Odebrecht foi preso em junho como parte das investigações da Lava Jato, sob acusação de integrar o esquema de corrupção na Petrobras e formar um cartel para obter contratos com a estatal. Ele teve a prisão prorrogada em julho.
Questionado pelo deputado Altineu Côrtes (PR-RJ) se tinha intenção de firmar uma colaboração, Marcelo deu um exemplo com suas filhas.
Segundo Odebrecht, quando elas brigavam e ele perguntava quem provocou a briga, “eu talvez brigasse mais com quem dedurou do que com aquele que fez o fato”.
“Para alguém dedurar, ele precisa ter o que dedurar. Esse é o primeiro fato. Isso eu acho que não ocorre aqui”, declarou. Ele disse que a Polícia Federal lhe ofereceu a possibilidade de um acordo de colaboração quando foi ouvido.
Marcelo Odebrecht ainda afirmou que sua defesa não teve acesso a todas as provas contra ele e, respondendo a perguntas sobre pressões pelo esvaziamento das investigações ou da possibilidade de fuga da prisão, disse “jamais”.
DESGASTE
O presidente da Odebrecht afirmou ainda que a Lava Jato “está gerando desgaste desnecessário para a Petrobras e as empresas nacionais” e que “nós devíamos cuidar melhor tanto da imagem da Petrobras como das empresas nacionais”.
Questionado sobre a atual imagem da Odebrecht vinculada à corrupção, Marcelo chamou-a de “fenômeno da publicidade opressiva” e disse inclusive contar com os deputados para reverter essa concepção.
Em sua fala inicial, Marcelo disse que “sempre” esteve à disposição para ser ouvido antes de ser preso, mas reclamou que só foi ouvido uma vez pela Polícia Federal, e após a sua prisão.
Questionado pelo deputado Bruno Covas (PSDB-SP) se conversou sobre a relação entre a Odebrecht e a Petrobras em encontros com a presidente Dilma Rousseff e com o ex-presidente Lula, Marcelo respondeu positivamente. “É provável e mais do que natural”, disse e ressaltou ter se tratado de conversas “republicanas” e que provavelmente falaria sobre o tema com amigos, empresários e outros políticos.
A questões sobre as acusações de fazer parte de um cartel de empreiteiras ou de pagamento de propina, por exemplo, Marcelo não quis comentar.
Apesar de preso e afastado do dia a dia da empresa, o empreiteiro disse que a Odebrecht “continua absolutamente sólida” e vai superar a crise. “Cada um de nós vai superar esse momento e vamos sair mais fortalecidos dessa crise”, afirmou.
O ex-gerente da Petrobras Celso Araripe optou pelo silêncio também, mas chegou a afirmar que foi demitido da estatal sem ter conhecimento do relatório que lhe acusou. (UOL)

