29/05/2018 – 10h46
Motoristas relatam até pressão para não sair do movimento, que ganha apoio popular no estado
Iniciada há nove dias, a paralisação dos caminhoneiros, que interditaram estradas Brasil afora contra sucessivas altas do diesel, segue com uma lista de reivindicações que inclui desde ‘intervenção militar’ até a renúncia do presidente Michel Temer (MDB). Ao menos em Mato Grosso do Sul, já que caminhoneiros nos pontos de bloqueio não reconhecem lideranças que assinaram acordo com o Governo Federal.
Há até relatos isolados de suposta intimidação e ameaça. É difícil quem fale abertamente a favor de abandonar a mobilização. Até mesmo o Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros de Mato Grosso do Sul), alinhado à AbCam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros) – que assinou o acordo com o governo -, afirma que a paralisação da categoria deve continuar normalmente.
“Pelo menos aqui, em MS, o movimento preferiu continuar parado. Os integrantes acham que o governo não está sendo honesto e que na redução de 46 centavos anunciada nas refinarias, talvez nem metade chegue nas bombas nos postos de combustível”, comenta Roberto Sinai, integrante do Sindicam-MS. Muitos motoristas, no entanto, dizem que sequer sabem ‘quem é Sinai’.
“Os pedágios são muito caros, cobram da gente até eixo erguido. Queremos que a categoria seja realmente beneficiada, somos muito explorados”, comenta um manifestante que parou no posto na segunda-feira (21) à tarde.
Bloqueios e ameaças
Em Mato Grosso do Sul, de acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federeal), havia até a noite da segunda-feira (28) seis pontos de bloqueio, no qual caminhoneiros só passam por escolta. Mas os motoristas estariam paralisados em pelo menos ouros 35 pontos de rodovias federais.
Em quase todos, é possível encontrar caminhoneiros que divergem sobre a decisão de permanecer parado. As denúncias surgem de forma velada. Segundo eles, o movimento não é democrático e quem afirma que vai abandonar a paralisação, sofre com ameaças.
“Não tem liberdade de ir e vir, como eles falam. Tanto é que você vê caminhão de remédio e de combustível sendo escoltado pela PM, não é? Se houvesse essa liberdade que eles dizem que tem, eu ia seguir em frente. Mas, é só sair qualquer um que eles correm atrás, seja de carro ou de caminhão, e mandam parar. Teve até gente armada fazendo ameaça”, relata um caminhoneiro que preferiu não ser identificado.
Em outro grupo, um caminhoneiro também afirma que paralisou sob ameaças de ter o veículo vandalizado. “Não faz sentido eu estar aqui. Se a greve é dos autônomos, os autônomos que parassem. Eu não coloco um litro de combustível no meu caminhão, porque eu trabalho para uma empresa, ganho salário e comissão. Não que eu ache normal o preço, mas por que eu vou brigar por diesel?”, comenta.
E tem também quem afirme que a visão dos manifestantes é limitada. “Não consigo entender, pois estou num lugar que tem água, comida, tem até churrasco. Mas, minha senhora está em casa e não consegue comprar um tomate para dar de comer pros meus filhos. Não acho que isso esteja certo”, conclui.
Apesar da negativa de parte da categoria retomar a normalidade, a expectativa da AbCam é que nesta terça-feira a desmobilização da categoria seja percebida com mais intensidade.
“O nível da adesão [à desmobilização] está aumentando gradativamente. Estou aguardando posição do grupo que está fazendo o levantamento. Apesar de ainda não termos um número exato [sobre o total de caminhoneiros que já se desmobilizaram], dá para dizer que de 70% a 80 % já levantaram acampamento”, disse José da Fonseca Lopes, presidente da AbCam, à Agência Brasil.(Midiamax)

