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PSL decide expulsar deputado Alexandre Frota após críticas a Bolsonaro

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13/08/2019 – 17h29

Deputado federal por SP já recebeu convite de DEM, PSDB, Podemos, MDB e PP

O PSL decidiu em reunião nesta terça-feira (13) expulsar o deputado Alexandre Frota (SP) da legenda. Eleito na onda do bolsonarismo para o primeiro mandato, com 156 mil votos, Frota não tem poupado críticas ao presidente Jair Bolsonaro. “A decisão foi pela desfiliação do deputado”, afirmou o presidente da legenda, Luciano Bivar (PE).

Segundo ele, Frota, que era filiado ao PSL desde abril de 2018, foi enquadrado em artigo do regimento que fala sobre desalinhamento partidário. Segundo Bivar, a expulsão está relacionada às declarações do deputado sobre o presidente Bolsonaro e sobre seus correligionários, e não a seu voto na reforma da Previdência.

No segundo turno da votação, na Câmara, ele foi o único deputado do partido que se absteve de votar. De acordo com a cúpula do PSL, a decisão pela expulsão foi unânime dentre os presentes na reunião. “Foi um sentimento da executiva nacional do partido, de que não foi a primeira vez que ele vem se comportando dessa forma apesar de já termos conversado com ele”, disse.

Bivar afirmou que Bolsonaro não foi consultado antes da expulsão do parlamentar. Foram 9 votos pela expulsão do deputado (dos 9 presentes, de um total de 14 membros da executiva nacional). A representação foi feita pelo próprio Bivar.

O artigo do estatuto partidário utilizado para fundamentar a desfiliação diz que “ocorre a expulsão por inobservância dos princípios programáticos, infração grave às disposições de lei e do estatuto, infidelidade partidária ou qualquer outra em que se reconheça extrema gravidade”. Antes, o deputado teve um prazo de cinco dias para se defender. De acordo com Bivar, a defesa apresentada por Frota se baseou no direito à liberdade de expressão.

O PSL afirma que a decisão e a ata da reunião serão protocolados nesta quarta-feira (14) na Câmara e também no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Segundo o líder da bancada na Câmara, Delegado Waldir (GO), que fez parte do colegiado que determinou a saída, a desfiliação ainda não foi efetivada.

“O Frota era um excelente quadro, um soldado espetacular, mas em razão da repetição dos fatos houve uma ação legítima do presidente [Bivar]”, afirmou Waldir, um dos que votou pela desfiliação.

A situação de Frota no partido se complicou nos últimos meses, e o deputado foi retirado da vice-liderança do partido na Câmara e da comissão da reforma tributária. Em maio, Frota criticou o filho do presidente, o também deputado federal Eduardo Bolsonaro, e questionou seu posto como presidente estadual do partido. Ele chegou a dizer que “colocaria fogo” no partido.

O deputado depois criticou a indicação de Eduardo para o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Ele chegou a ser o coordenador do PSL na comissão especial da Previdência e se consolidou como um dos principais articuladores do partido na questão, o que levou a uma aproximação sua com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Expulso, Frota não poderá ser acusado de infidelidade partidária e pode buscar outra legenda. Segundo informou a coluna Painel, duas novas casas possíveis são o PSDB e o DEM. O parlamentar chegou a ser convidado para a legenda de Maia, mas ainda não há definição.

GUERRA INTERNA

A guerra interna no PSL ganhou um novo capítulo praticamente ao mesmo tempo em que se consumava a expulsão de Alexandre Frota. Para não ser o próximo, o deputado Bibo Nunes (PSL-RS) entrou com representação no Conselho de Ética da sigla contra o presidente nacional do partido, Luciano Bivar (PE).

O motivo alegado é o fato de Bivar ter xingado Nunes numa troca de mensagens por WhatsApp. Após Nunes ter compartilhado uma notícia referente ao caso dos candidatos laranjas, Bivar o teria mandado “tomar no cu”.

“A referida conduta é incompatível com o decoro do cargo de presidente nacional do partido que elegeu o presidente da República, Jair Bolsonaro, e não merece ficar impune”, diz a representação. A notícia compartilhada mostrava a deputada Alê Silva (PSL-MG) cobrando explicações do caso dos laranjas. “Depois que expulsou o Frota, ele vai achar que pode me afrontar, então me antecipei”, disse.(Folha de S. Paulo)

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