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Macron convoca países para discutir queimadas na Amazônia no G7: ‘É uma crise internacional’

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22/08/2019 – 16h32

Presidente francês escreveu em rede social que ‘nossa casa está queimando, literalmente’; evento que reúne sete das maiores economias do planeta começa neste fim de semana, na França

O presidente da França, Emannuel Macron, convocou via Twitter os países membros do G7 para discutir as queimadas na Amazônia na cúpula que acontece neste final de semana, em Biarritz, na França. Em postagem na rede social, acompanhada de imagem da floresta em chamas, na tarde desta quinta-feira, Macron lembrou que a Amazônia produz 20% do oxigênio do planeta:

“Nossa casa está queimando. Literalmente. A Floresta Amazônica – os pulmões que produzem 20% do oxigênio do nosso planeta – está em chamas. É uma crise internacional. Membros da Cúpula do G7, vamos discutir em dois dias este tema emergencial!” – diz a postagem.

O G7 é um grupo internacional composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, as sete maiores economias de países desenvolvidos do planeta. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), os países representam mais de 64% da riqueza líquida global, equivalente a US$ 263 trilhões.

‘Brasil arde’, diz El País

Desde que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) contestou dados do desmatamento divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o problema tem sido destacado pela mídia estrangeira, acarretando reações como o corte de repasses da Alemanha e da Noruega ao Fundo Amazônia.

Agora, a onda de queimadas e as declarações –sem provas– do presidente de que ONGs poderiam estar envolvidas nos incêndios que se alastram pelo país ganharam repercussão em todo o mundo. O saldo é que a Amazônia virou notícia nos principais portais estrangeiros.

Em sua maioria, ao analisar o cenário, os jornais associam o aumento do desmatamento na floresta à gestão de Jair Bolsonaro, aos interesses do agronegócio e à falta de investimentos do atual governo em políticas ambientais. “Os ministros deixam claro que suas simpatias estão com os madeireiros, e não com os grupos indígenas que vivem na floresta”, diz o britânico The Guardian.

Para o também britânico Financial Times, Jair Bolsonaro facilitou o “boom do desmatamento”, enquanto o espanhol El País diz que o Brasil “arde em um ritmo recorde”. Confira a repercussão nos principais veículos.

THE GUARDIAN

O jornal britânico noticiou, nesta quarta (21), que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) acusou ONGs de terem envolvimento com a onda de incêndios na Amazônia, mesmo sem apresentar dados. No texto, o jornal afirma que Bolsonaro tenta evitar críticas internacionais sobre sua “incapacidade de proteger a maior floresta tropical” do mundo.

The Guardian também ressalta que, desde que Bolsonaro assumiu o governo, menos multas estão sendo aplicadas, e que seus ministros “deixam claro que suas simpatias estão com os madeireiros, e não com os grupos indígenas que vivem na floresta”. Nesta quinta (22), as vaias que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, recebeu em evento sobre o clima em Salvador foram destaque na homepage do portal.

THE ECONOMIST

A capa da primeira semana de agosto da revista britânica já apresentava a imagem de um toco de árvore com o formato do mapa do Brasil sob o título “Vigília da morte para a Amazônia”. A publicação afirma que a região “está perigosamente perto do ponto de inflexão”, do qual não haveria como retornar.

“O Brasil tem o poder de salvar a maior floresta tropical da Terra, ou destruí-la”, escreve a revista em editorial, apontando o presidente brasileiro como responsável pelo problema.

THE WASHINGTON POST

O americano ressaltou que a floresta Amazônica é essencial para o equilíbrio climático e para a biodiversidade do planeta e que, sem ela, a mudança climática ocorrerá a níveis acelerados.

O jornal também falou do episódio ocorrido em São Paulo nesta segunda (19), quando uma frente fria e a fumaça vinda das queimadas escureceu o céu da capital no início da tarde. Após citar São Paulo como “capital do Brasil”, publicou o erramos corrigindo para “maior cidade”.

THE NEW YORK TIMES

O jornal americano ressalta que o desmatamento da Amazônia aumentou rapidamente desde que Bolsonaro tomou posse e cortou subsídios para combater as atividades ilegais na floresta. A reportagem afirma que “o presidente de extrema-direita acusou ONGs de colocar fogo na floresta depois que o governo cortou financiamentos, apesar de não apresentar nenhuma evidência”.

Na publicação, fazendeiros que estão “limpando suas terras” são responsabilizados pelos incêndios que se alastraram pelo Norte do país. A matéria também ressalta que o fogo aumentou tanto que a fumaça alcançou o litoral atlântico e São Paulo.

FINANCIAL TIMES

O jornal econômico publicou um artigo de opinião assinado pelo professor da Universidade de Oslo, Bard Harstad, sobre como a pressão comercial de outras nações pode ajudar a salvar a Amazônia brasileira.

O artigo ressalta que Jair Bolsonaro “facilitou o boom do desmatamento”. “O diretor responsável por relatar dados de satélites foi demitido; um insider do agronegócio foi indicado para lidar com assuntos indígenas; a supervisão das terras indígenas foi transferida para o departamento agrícola; e o corte do orçamento está em execução. Como consequência, o desmatamento em julho foi o triplo de um ano atrás”, diz o artigo.

EL PAÍS

“A Amazônia brasileira arde em um ritmo recorde”, diz o espanhol El País. O jornal destaca que, nos oito primeiros meses do ano, o Brasil teve 84% mais incêndios que o mesmo período de 2018, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

A reportagem também relata que o órgão tem sido alvo de críticas do presidente brasileiro, o qual colocou seus dados em dúvida, e que o mandatário sugeriu –mesmo sem apresentar provas– que os incêndios podem ser sido criminosos e provocados por organizações não governamentais.

LE MONDE

Sob o título “Incêndios na Amazônia: uma praga sazonal ‘amplificada pelas posições de Jair Bolsonaro'”, a publicação francesa destaca nesta quinta (22) em seu portal uma entrevista com a economista Catherine Aubertin. Nela, Aubertin diz que o presidente brasileiro colocou em prática “um sistema de enfraquecimento das instituições ambientais” para tirar proveito da região amazômica.

O jornal também publicou uma análise das principais fotos postadas por celebridades e internautas nas redes sociais com as hashtags #prayforamazonia e #PrayForAmazonas.

DEUTSCHE WELLE

A Alemanha, que recentemente decidiu suspender o repasse de verbas que iriam para o Fundo Amazônia, fez um levantamento sobre como a mídia do país está repercutindo as notícias do Brasil. Ela destaca a revista semanal Der Spiegel, que ressalta que “A Amazônia diz respeito a toda a humanidade” e que “o desenvolvimento do clima do mundo depende da preservação da floresta tropical”. A publicação afirma que “chegou a hora de se pensar em sanções diplomáticas e econômicas contra o Brasil”.

O jornal Die Zeit afirma: “de que adianta cortar o dinheiro para a conservação da floresta de um parceiro que, de qualquer forma, não tem mesmo interesse na conservação da floresta –e ainda responde à pressão pública com ostensiva teimosia, ao invés de mostrar disposição em conversar?”

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