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Advogado de Bolsonaro sonegou informação sobre áudio, diz diretor da TV Globo

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04/11/2019 – 09h20

Em carta aos jornalistas da emissora, Ali Kamel diz que equipe foi procurada por fonte ‘absolutamente próxima’ do presidente para falar de ‘bomba’ no caso Marielle

O diretor geral de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, divulgou uma nota interna aos profissionais da emissora para “dar os parabéns mais efusivos” ao repórteres do Rio de Janeiro que fizeram a matéria sobre a citação de Jair Bolsonaro na investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco.

Na carta, Ali Kamel dá detalhes de cada passo da investigação jornalística. E revela que, em meio à apuração, que se desenrolava no Rio, “uma fonte absolutamente próxima da família do presidente Jair Bolsonaro” procurou a emissora em Brasília para dizer que “ia estourar uma grande bomba, pois a investigação do caso Marielle esbarrara num personagem com foro privilegiado”.

“Eu estranhei: por que uma fonte tão próxima ao presidente nos contava algo que era prejudicial ao presidente? Dias depois, a mesma fonte perguntava: a matéria não vai sair?”, afirma Kamel.
Ele ainda diz que o advogado do presidente, Frederick Wasseff, sonegou a informação da existência do áudio na portaria de Bolsonaro quando deu entrevista à TV Globo.

Diz Ali Kamel: “Hoje sabemos que o advogado do presidente, no momento em que nos concedeu entrevista, sabia da existência do áudio que mostrava que o telefonema fora dado, não à casa do presidente, mas à casa 65, de Ronnie Lessa. No último sábado, o próprio presidente Bolsonaro disse à imprensa: ‘Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano’. Por que os principais interessados em esclarecer os fatos, sabendo com detalhes da existência do áudio, sonegaram essa informação?”.

A reportagem foi veiculada na semana passada. Ela mostrava que um porteiro do condomínio em que vive o presidente declarou às autoridades que, horas antes do crime, um dos suspeitos do assassinato de Marielle visitou o local e disse na entrada que iria à casa de Bolsonaro.

O presidente reagiu com um vídeo divulgado na internet em que chamou os jornalistas da TV Globo de patifes, canalhas e porcos e chegou a ameaçar tirar a emissora do ar, deixando de renovar a concessão do canal, prevista para 2022.

Um dia depois, o Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou que o porteiro mentiu. Fez isso com base em perícia finalizada em pouco mais de duas horas e que vem sendo criticada por especialistas da área.
“Diante de uma estratégia assim, o nosso jornalismo não se vitimiza nem se intimida: segue fazendo jornalismo”, afirma Kamel na nota interna. “É certo que em 37 anos de profissão, nunca imaginei que o jornalismo que pratico fosse usado de forma tão esquisita, mas sou daqueles que se empolgam diante de aprendizados.”(Mônica Bergamo/Folha de S. Paulo)

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