05/11/2019 – 09h39
Depois da TV, agora é o jornal da família Marinho, em editorial, que marca posição contra o governo Bolsonaro
O jornal O Globo criticou duramente a posição do presidente Jair Bolsonaro de declarar guerra ao grupo após a divulgação de reportagem no Jornal Nacional que associa seu nome ao assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. “O presidente Jair Bolsonaro não tem apreço pela imprensa independente e profissional. Não tinha durante a campanha e continuou sem ter desde o primeiro dia no cargo”, diz o texto.
Segundo o jornal, Bolsonaro defende uma imprensa livre, mas suas palavras e atos comprovam que ele quer apenas uma imprensa que o bajule e que não busque noticiar os fatos como eles são, mas como ele gostaria que fossem.
“A essa altura, ele já sabe que jamais terá isso daqueles que praticam com zelo o jornalismo profissional. Certamente não terá isso dos veículos do Grupo Globo. Seus antecessores não tiveram, seus sucessores não terão”, afirma o veículo.
O Globo também devolve a Bolsonaro os termos que ele usou para se referir a profissionais do grupo, como patifes, canalhas e porcos: “Chamá-los de patifes, canalhas e porcos não diz nada deles, mas muito dos valores de quem profere insultos tão indignos”.
“É preciso repudiar tal atitude do presidente da forma mais veemente possível e denunciá-la como a de um homem que, hoje não se tem mais ilusões, não comunga dos valores democráticos mais básicos. Não se esperem, contudo, reações no mesmo nível. Espere-se mais jornalismo”, continua o comunicado.
Esse é mais um capítulo na disputa entre o maior grupo de comunicação do país e o presidente da República. Em carta interna, o diretor de Jornalismo da TV Globo defendeu o trabalho do Jornal Nacional e disse que a apuração do caso pode ter sido uma “cilada” de uma fonte próxima a Bolsonaro.
Antes a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República havia divulgado nota de repúdio à reportagem da emissora sobre o depoimento de um porteiro que alega que uma pessoa que se identificou como “seu Jair” autorizou, da residência de Bolsonaro, a entrada no condomínio de um dos suspeitos de matar Marielle e Anderson. Bolsonaro estava em Brasília naquele dia. Áudios divulgados até agora indicam que foi Ronnie Lessa, outro suspeito do crime, que liberou o acesso.
“São 94 anos, repita-se. Atos e palavras são o que definem o lugar de homens e instituições na História. O Grupo Globo tem orgulho do seu lugar, obra de gerações de jornalistas que passaram por ele. O tempo dirá o lugar que o presidente reservará para si”, conclui o editorial.(Congresso em Foco)

