Depois da nossa terra, cidade morena, estou em Minas Gerais. Cheguei a Belo Horizonte na quarta à noite, para um encontro na Academia Mineira de Letras. Na sexta, estive na Universidade Federal de Alfenas e, neste sábado, sigo para a mais conhecida feira literária do sul do estado, a Flipoços.
Em Belo Horizonte, o encontro foi com velhos e novos amigos. Cidade das ladeiras, de montes — Alegre, Azul, Branco, Verde —, de casarões seculares e prédios modernos que coabitam de forma mais cordial do que em São Paulo, segundo meu ponto de vista. Ruas arborizadas, onde o gari que varria as folhas de uma importante árvore não sabia seu nome. As folhas lembravam o formato do louro, porém maiores.
Ao responder à minha pergunta, a pessoa que estava na guarita do prédio em frente também não a conhecia. Amável, o senhor varredor de rua aconselhou-me a procurar no Google. Então, mais distante, onde a luz do sol incidia melhor, apontei meu celular — que agora faz tudo — para as folhas da árvore. Surgiram dois nomes: guarea e pau-de-balsa, árvore nativa do Brasil também chamada de pente-de-macaco e cortiça.
Verificando a informação, a IA indicou que guarea e pau-de-balsa não são a mesma coisa. Belo Horizonte não teria o pau-de-balsa em suas ruas, e as árvores do gênero guarea até podem existir, mas não são típicas da arborização urbana da cidade.
Deixemos a questão para depois. Seguimos para Alfenas, onde o professor Ítalo Oscar Riccardi Leon, da UNIFAL, no sul de Minas, recebeu-me após seis horas de viagem pelas tortuosas estradas mineiras, região de muito café, para uma palestra sobre Lucy Citti Ferreira, a pintora esquecida do modernismo.
Professores, alunos — sinto muita alegria em estar em contato com eles. Estudantes de literatura, interessados em livro e leitura.
Em seguida, a Flipoços, a mais importante feira do livro do sul de Minas Gerais, recebe-me para um encontro direto com o público, sob um sol generoso.
O Livro foi editado pela Patuá: https: https://www.editorapatua.com.br/lucy-citti-ferreira-a-pintora-esquecida-do-modernismo-biografia-de-maze-torquato-chotil/p
- Mazé Torquato Chotil – Jornalista e autora. Doutora (Paris VIII) e pós-doutora (EHESS), nasceu em Glória de Dourados-MS, morou em Osasco-SP antes de chegar em Paris em 1985. Agora vive entre Paris, São Paulo e o Mato Grosso do Sul. Tem 14 livros publicados (cinco em francês). Fazem parte deles: Na sombra do ipê e No Crepúsculo da vida (Patuá); Lembranças do sítio / Mon enfance dans le Mato Grosso; Lembranças da vila; Nascentes vivas para os povos Guarani, Kaiowá e Terenas; Maria d’Apparecida negroluminosa voz; e Na rota de traficantes de obras de arte.
Em Paris, trabalha na divulgação da cultura brasileira, sobretudo a literária. Foi editora da 00h00 (catálogo lusófono) e é fundadora da UEELP – União Européia de escritores de língua Portuguesa. Escreveu – e escreve – para a imprensa brasileira e sites europeus.
