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quinta-feira, julho 23, 2026

Neutralidade anunciada por Ciro Nogueira embaralha o jogo de Riedel, Azambuja e Nelsinho em MS

Decisão do PP e do União Brasil de permanecer neutros na disputa presidencial embaralha ainda mais o tabuleiro sul-mato-grossense e confirma que as maiores dificuldades da sucessão estadual podem estar dentro da própria base governista

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Quando publiquei aqui segunda-feira que estava chegando ao fim a concentração dos candidatos para a sucessão estadual, a advertência era simples: dali em diante, bastaria um movimento de Brasília para que o tabuleiro político de Mato Grosso do Sul começasse a produzir situações aparentemente contraditórias. Pois o primeiro lance importante já aconteceu. A decisão do senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, de comunicar a Flávio Bolsonaro que a federação formada pelo PP e pelo União Brasil permanecerá neutra na disputa presidencial talvez provoque menos barulho em Brasília do que por estas bandas. E justamente às vésperas das convenções partidárias.

O motivo é simples. Em Mato Grosso do Sul o governador Eduardo Riedel vai disputar a reeleição pelo PP, partido presidido nacionalmente por Ciro Nogueira. Seu principal aliado político, Reinaldo Azambuja, acaba de desembarcar no PL para disputar uma das vagas ao Senado na chapa bolsonarista. A senadora Tereza Cristina, também do Progressistas e uma das principais lideranças nacionais do agronegócio, recusou o convite para ser candidata a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. Agora, o próprio comando nacional do partido decide manter distância da disputa presidencial, liberando seus diretórios para acomodarem as realidades regionais. Não chega a ser uma ruptura. Mas está longe de parecer harmonia.

Como se esse quebra-cabeça já não fosse suficientemente complexo, outra engrenagem começa a ranger dentro da própria base governista. Candidatos a deputado federal e estadual ligados ao grupo de Azambuja vêm sendo pressionados a pedir voto para a chapa pura ao Senado, formada pelo ex-governador e pelo capitão Contar. O problema é que boa parte deles também construiu compromissos políticos com o senador Nelsinho Trad, do PSD, candidato à reeleição e aliado de primeira hora de Eduardo Riedel, embora dispute a eleição fora da principal coligação do governador. Resultado: multiplica-se uma curiosa engenharia eleitoral. Primeiro voto para Azambuja. Segundo voto para Nelsinho. Na prancheta pode até parecer uma conta simples. Na rua, nem sempre funciona assim.

É justamente aí que mora a principal dificuldade da campanha governista. Até outro dia, o discurso era de unidade. Agora, as convenções se aproximam e cada partido passa a fazer contas próprias. A neutralidade nacional do PP não resolve o problema de Mato Grosso do Sul. Ao contrário, amplia a margem para arranjos regionais e expõe uma realidade que os bastidores já vinham sussurrando: o maior desafio da eleição talvez não seja enfrentar a oposição, mas administrar interesses distintos dentro da própria base.

E, convenhamos, nenhuma dessas movimentações deveria surpreender quem acompanhou os dois últimos textos publicados neste espaço. A concentração realmente acabou. Agora começam as substituições, as mudanças de esquema, os dribles de conveniência e as inevitáveis trombadas entre aliados. Daqui para a frente, a campanha será menos uma disputa entre adversários e muito mais um exercício permanente de equilíbrio entre parceiros que, embora dividam o mesmo palanque, já começam a olhar em direções diferentes. É o tipo de encrenca que não costuma aparecer nas fotografias oficiais, mas que frequentemente decide eleições.

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