24.4 C
Dourados
quinta-feira, outubro 22, 2026

Rejeição a Nantes, medo do retorno dos Bolsonaro, aprovação do governo: os sinais positivos para Lula na Quaest

Acirramento da disputa ocorre em meio ao aumento da indecisão do eleitorado na pesquisa espontânea, que mede quão convicto está quem declara apoio a um e outro

- Publicidade -

A distância entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é de apenas um ponto percentual a quatro dias das eleições, mostra pesquisa Quaest contratada pelo jornal O Globo e pela TV Globo, divulgada ontem. O candidato do PL tem 45% das intenções de voto, contra 44% do petista, o que configura empate técnico na margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos. O acirramento da disputa ocorre em meio ao aumento da indecisão do eleitorado na pesquisa espontânea, que mede quão convicto está quem declara apoio a um e outro — o número de indecisos dobrou em uma semana e chegou a 14%.

Na reta final, os candidatos já têm suas estratégias montadas. Flávio continuará apostando no antipetismo, com críticas ao governo, e no “voto envergonhado”, aquele que não é detectado nas pesquisas. Já Lula continuará usando o mote do medo, com declarações antigas da família Bolsonaro e reforçando seus programas sociais, aproveitando que a rejeição ao adversário entre usuários de Bolsa Família subiu.

Indecisão no voto

A alta dos indecisos no levantamento espontâneo foi observada em diferentes segmentos do eleitorado. Entre as mulheres, a fatia sem candidato na ponta da língua subiu de 8% para 17% Esse grupo também cresceu na parcela de eleitores independentes, passando de 13% para 31%. Já entre beneficiários do Bolsa Família, programa que pautou a disputa nos última dias, houve aumento de 7% para 19%.

A pesquisa trouxe sinalizações positivas para o atual presidente. Lula conseguiu reduzir sua rejeição de 53% para 47%, que ficou abaixo do registrado por seu adversário (52%). O petista, que enfrenta uma tendência global de derrota de governantes, também viu a aprovação ao seu governo oscilar positivamente para 46% e encostar na desaprovação, que soma 47%. Há uma semana, essa distância era de três pontos.

Uma fatia maior da população (45%) também acha a gestão de Lula melhor que a de Bolsonaro (40%). Em outra frente, o medo de um retorno dos Bolsonaro à Presidência voltou a superar numericamente o temor com a reeleição do petista (44% a 42%, o que não ocorria desde agosto, quando a campanha começou. As duas opções, porém, seguem tecnicamente empatadas, na margem de erro.

A preocupação com a volta da família Bolsonaro ao poder subiu, inclusive, entre os beneficiários do Bolsa Família. Nesse grupo, que historicamente tem preferência por candidatos do PL, o índice subiu de 58% para 63%. A movimentação ocorreu em meio ao duelo de narrativas sobre a política de transferência de renda travado nas redes sociais.

Baseada em declarações da coordenadora econômica de Flávio, Daniella Marques, a campanha de Lula passou a alegar que uma eventual vitória do filho de Jair Bolsonaro colocaria em risco o programa. O senador reagiu e reforçou mensagens favoráveis ao Bolsa Família. Além disso, apagou de seus perfis postagens antigas que voltaram a circular nas redes em que fazia ataques à política, chamada por ele de “bolsa-farelo”.

O período de entrevistas do instituto — foram 2.154 em todo o país, feitas entre sábado e terça-feira — não capturou totalmente, porém, as percepções dos eleitores no auge dessas afirmações, que escalaram no último dia de campo.

Em intenções de voto, Lula oscilou dois pontos para cima em uma semana entre os que recebem o auxílio e chegou a 62%, enquanto Flávio recuou quatro pontos e tem 27%. O movimento se deu enquanto o patamar visto entre os não-beneficiários ficou na mesma.

Antes mesmo da divulgação da Quaest, a campanha de Flávio já havia decidido concentrar sua ofensiva final nos eleitores de baixa renda após o desgaste no tema, mas integrantes da campanha minimizaram ontem resultado da pesquisa. A avaliação é que a disputa será acirrada, mas que ainda há espaço para crescimento com a mobilização dos apoiadores e a busca pelos indecisos.

Do lado de Lula, aliados dizem que o levantamento mostra que está surtindo efeito a campanha para aumentar a rejeição do adversário, e a ideia é dobrar a aposta em uma “campanha do medo”. Também veem reflexo do impacto do pacote de medidas apresentadas pelo Palácio do Planalto nas últimas semanas e da mobilização nas redes sociais e nas ruas. Para integrantes da coordenação da campanha, o dado mais importante está na pesquisa espontânea, na qual o número de indecisos dobrou em uma semana. Petistas avaliam que parte desse eleitorado, formado por mulheres, tem mais receio de perder benefícios sociais e direitos trabalhistas, tônica que tem sido usada para atacar Flávio.

A nova pesquisa também foi a primeira do instituto após outros marcos da campanha. Na semana passada, foi promulgado o fim da escala 6×1, bandeira eleitoral de Lula. Depois, os candidatos participaram das entrevistas da Globo e do debate da Band, o primeiro a reunir os dois candidatos na eleição. Também cresceram, desde então, as mobilizações nas ruas e nas redes em prol dos presidenciáveis.

O debate da Band foi considerado de péssimo nível pelas campanhas, que tentam agora modular a postura de Lula e Flávio para o encontro da Globo, amanhã. Pesquisas qualitativas indicaram que os eleitores não gostaram do primeiro embate.

O levantamento mostra ainda que Flávio hoje atrai mais eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno, enquanto Lula tem vantagem numérica entre quem votou em branco, nulo ou não compareceu às urnas no dia 4 de outubro (leia mais na página 6). O petista busca uma virada inédita após as urnas mostrarem o senador fluminense com 47% dos votos válidos na primeira volta, contra 45% do petista.

Alienação eleitoral

Para o diretor da Quaest, Felipe Nunes, uma vitória do petista só acontecerá se a campanha conseguir reduzir a alienação eleitoral, assim como fez Dilma Rousseff em 2014. A alienação eleitoral é a soma do número de abstenções e dos votos nulos e brancos. No primeiro turno das eleições 2026, foram mais de 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas e quase seis milhões que não escolheram nenhum dos candidatos disponíveis.

Em 2022, a soma das abstenções e dos nulos e branco caiu somente 0,21% entre o primeiro e o segundo turno. Em 2014, a alienação eleitoral caiu mais de um ponto, o que permitiu a virada da Dilma no segundo turno, diz Nunes. Apesar de a candidata do PT ter vencido Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno, ela saiu atrás do candidato tucano nas pesquisas de segundo turno.

— Se o nível da alienação eleitoral esperada para esse ano for próxima à de 2014, a mudança entre o primeiro e o segundo turno, há chance sim de o Lula fazer essa a virada. A Dilma virou na última semana por causa da queda da alienação eleitoral. O PT em 2014 conseguiu fazer o eleitorado que não votou em ninguém a escolher a Dilma. Isso para mim é mais decisivo do que olhar só para a taxa de abstenção — disse Nunes. — O incumbente que conseguiu virar foi a Dilma quando a alienação caiu. O incumbente que não conseguiu foi Jair Bolsonaro, quando a queda não foi significativa.

O Globo

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-