As eleições legislativas e estaduais realizadas nesta terça-feira (3) nos Estados Unidos deixaram um recado político de grandes proporções para Donald Trump e o Partido Republicano. A onda democrata avançou sobre redutos conservadores, conquistou governos estaduais importantes e produziu vitórias que vão além da disputa partidária: abriu portas históricas para grupos que durante muito tempo permaneceram afastados dos principais postos de poder da política americana.
No Novo México, Deb Haaland, integrante da comunidade indígena Laguna Pueblo e ex-secretária do Interior no governo Joe Biden, foi eleita governadora. Será a primeira mulher indígena a governar um estado americano. Sua trajetória já havia marcado a história: em 2018, tornou-se uma das primeiras mulheres indígenas eleitas para o Congresso e, depois, a primeira pessoa indígena a chefiar o Departamento do Interior.
Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms, ex-prefeita de Atlanta, conquistou o governo estadual e se tornou a primeira mulher negra eleita governadora nos Estados Unidos. A vitória também representa uma mudança importante na política da Geórgia, estado que vinha sendo governado pelos republicanos havia mais de duas décadas. São duas conquistas distintas, mas com um significado comum: a ampliação da representação política em um país cuja democracia ainda convive com profundas desigualdades históricas.
Outro resultado que merece atenção veio do Texas. O democrata James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton na disputa pelo Senado, conquistando para seu partido uma cadeira que não era vencida por um democrata em eleição desde 1988. O resultado tem peso simbólico e político: o Texas, tradicionalmente associado ao conservadorismo republicano, mostrou que o mapa eleitoral americano não é imutável.
A onda também alcançou outros estados. Democratas conquistaram governos estaduais em disputas importantes, enquanto candidatos republicanos apoiados por Trump sofreram derrotas. No balanço ainda parcial da apuração, o partido do presidente enfrenta perdas expressivas no Congresso e nos governos estaduais, com consequências para a capacidade de Trump conduzir sua agenda nos próximos dois anos.
O resultado não se resume, portanto, a uma contagem de cadeiras. Haaland, Bottoms e Talarico representam histórias diferentes, mas suas vitórias revelam uma renovação da representação política americana. São conquistas que carregam o peso de décadas de exclusão e demonstram que a disputa pelo poder também passa por quem consegue chegar aos espaços de decisão.
Para Trump, a noite eleitoral foi um duro revés. Para os democratas, uma demonstração de força que pode alterar a correlação política nacional. E para os brasileiros que acompanham a movimentação do tio Trump — inclusive seus hóspedes políticos vindos do Brasil — fica uma pergunta inevitável: com a casa em ebulição e a oposição ganhando terreno, quanto tempo sobrará para os salamaleques internacionais?
contrapontoMS/ChatGPT
