28/10/2013 – 14h13
Depois de muito matutar e, mais uma vez, lamentando não ter um bom chargista para ajudar-me na tarefa de transmitir da maneira mais didática possível as ações de nossos valorosos parlamentares, tanto municipais, estaduais como federais, resta-me o consolo da imagem do vereador Cido Medeiros em seu triunfal retorno, ops!, de Brasília, apeando de sua cavalgadura em frente ao prédio assobradado da Câmara Municipal com o alforje estufado, de um lado R$ 50 milhões, do outro, a papelada comprobatória de seu empenho por mais R$ 50 milhões. A maior parte da grana por ele conseguida, para asfaltar as ruas esburacadas de Dourados pelas quais ele gosta de bater pernas arvorando-se como sucessor do Valdecir, o prefeito fenomenal preso e obrigado a renunciar acusado como chefe da quadrilha Uragano.
Cobrado, depois de dez dias, por não ter comentado o tão estrondoso feito do demo cria de Zé Teixeira, e como não leio mais jornais impressos, recorri aos arquivos de José Henrique Marques, mas dei azar, pois justamente a edição em que saiu a indigitada matéria deve ter sido uma daquelas que os entregadores costumam jogar pelos ares, indo entupir alguma calha ou ficando dependurada em algum galho de árvore mais frondoso. O jeito foi buscar o tal release na internet. E lá estava, como se notícia fosse, o “furo de reportagem” que ilustra este post. Pelo atrasado da coisa, não sei se os colegas fizeram algum reparo no texto distribuído pela assessoria do vereador, quem sabe até alguma suíte (matéria com novas informações sobre algo já noticiado anteriormente), pelo fato inusitado de um simples vereador conseguir aquilo que tanto prometem deputados e senadores, sem contar o esforço sempre hercúleo do prefeito de plantão por esse tipo de recurso, como, no caso de Murilo Zauith, que toda semana ou vai ou despacha para Brasília seu secretário de Planejamento Gerson Schaustz, com o mesmo fim. Santa ingenuidade a minha, por nunca perder a esperança de que um dia os editores tenham a decência de mandar este tipo de “notícia” para a chamada cesta-seção, jargão que os jornalistas de antigamente usavam para se referir à lixeira da redação.
Pior que jornais aceitando, “subordinadamente”, como gosta o deputado Geraldo Resende, este tipo de situação ou do “jornalista” que elaborou e distribuiu tão prestimoso texto é alguém que se coloca na condição de pretenso governador do Estado ajudar a fomentar este tipo de delírio. Refiro-me ao senador petista Delcídio do Amaral, que se deu ao trabalho de posar com Cido Medeiros para a foto que sabia seria distribuída para fazer demagogia barata. Sim, porque foi preciso um vereador ir de Dourados até Brasília, para se descobrir que “ainda hoje temos pessoas dividindo a pista de rolamento com veículos, que trafegam em alta velocidade nesses locais e que temos (ele, Cido Medeiros) que tomar providencia urgente”. O esmero na justificativa, fica claro, é só mais um jeitinho, descarado, de justificar mais esta descabida gastança com dinheiro público.
Este mau costume de levar vereadores para “acompanhar projetos em Brasília” começou com José Elias Moreira. Regadas a muito uísque e “cositas más”, as memoráveis viagens, em grandes comitivas, da virada da década de 1970/80, uma estratégia para amansar a bancada de oposição, eram bancadas pela prefeitura. Mesmo com o fim das mordomias, vira e mexe aparece algum iluminado, como Cido Medeiros, redescobrindo o caminho das pedras, ou, agora, dos retornos, como se deputados e senadores não existissem pra isso e vereador não tivesse nada a fazer na área de sua alçada.
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