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Do deputado da putada aos do Face

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07/11/2013 – 10h30

Dispensando o tratamento conferido às autoridades durante interrogatório do escrivão Atilhinho Torraca, depois de detido numa batida policial na famosa ZBM de Dourados, o deputado estadual Alberto Monteiro se justificou dizendo que “lá (em Cuiabá) era deputado, mas, aqui, da putada”. Da segunda leva de douradenses na Assembleia Legislativa, Monteiro foi eleito estritamente pela Colônia Federal, da qual era funcionário, num tempo em que a eloquência do discurso era condição sine qua non para chegar lá, desde que o sujeito tivesse um bom par de botinas, disposição para acordar cedo e dormir tarde, além de estômago, não no sentido figurado, mas resistente, mesmo, principalmente a cafezinho. Sua historinha, diante de minha dificuldade de absorção de vitamina D nesses últimos dias, vem a propósito daquilo quê, mesmo se afigurando como uma verdadeira briga de foice no escuro, para alguns, parece não ir além de passatempo no Facebook.

De um colégio eleitoral de aproximadamente 150 mil eleitores, em que cerca de 50 mil votos são “desperdiçados” entre abstenção, nulos, brancos e com famosos paraquedistas, o que sobra desperta a cobiça, nesta fase de pré-campanha, de pelo menos vinte ilustres cidadãos e cidadãs, entre os quais o vereador índio Aguilera de Souza. E quanto atrevimento – de alguns –, considerando os nomes emblemáticos que ocuparam essas cadeiras, como, desde o primeiro deles, Camilo Ermelindo da Silva, ainda na década de1950, passando por José Cerveira, Weimar Torres, Antônio Alves Duarte, Celso Muller do Amaral, Vivaldi de Oliveira, Horácio e Ivo Cersósimo (este último com z no lugar do primeiro s), mais recentemente Walter Benedito Carneiro, Roberto Razuk e Murilo Zauith, não se esquecendo também daqueles mais lembrados pela peculiaridade dos apelidos, como o franguinho, o pintadinho e o macaquinho, com Edson Pires tendo o desconfiometro de empoleirar mais cedo numa confortável aposentadoria, Valdenir Machado tentando, agora, uma nova imersão, ou seria um retorno?, ops!, depois de nadar de braçada por três mandatos e meio e, Zé Teixeira, sempre tocando a boiada, com mandato ad aeternum.

O problema é que é muita gente pra pouco voto, levando-se em consideração o potencial de Dourados, que jamais elegeu mais que quatro estaduais, só chegando a ter cinco representantes na segunda metade da legislatura 2006/10, com o retorno, como suplentes, de Humberto Teixeira e Valdenir Machado, levando Bela Barros de carona. Assim mesmo, eleitos quatro, de uma pancada, só em 1982, por conta da candidatura majoritária de José Elias Moreira ao governo do Estado. O quarto da atual legislatura, Lauro de Davi, com seus 2.652 votos em Dourados, não conta, pois como Monteiro, o “da putada”, da Colônia Federal, é também um representante corporativo, no caso, da poderosíssima Cassems.

Pra quem acha que o Facebook elege deputado, só somar os votos de Tetila, Takimoto e Zé Teixeira, os três mais votados da eleição passada. Já foi a metade dos votos válidos de Dourados. Na sequência, mais 30 mil votos, divididos entre Délia Razuk e Keliana Fernandes. Ambas, com promessa de dobrarem a votação “lá fora”. Sobrando aí 20 mil votos, e nem contamos ainda os do ou dos candidatos de Murilo Zauith. Que devem ser Gerson Schauzts e o pastor-vereador Sérgio Nogueira. E que fiquem com dez mil votos cada um (para também buscar o resto fora), o que é pouco, para o tamanho do prestigio do prefeito. Mesmo que Gerson e Nogueira belisquem os votos dos três candidatos a reeleição, que também devem ser bem votados em outros municípios, não muda muita coisa. Dourados já estaria chegando a uma bancada histórica, de sete estaduais.

Numa lista paralela, os candidatos corporativos, José Carlos Barbosa e Antônio Freire. É esperar pra ver se a Sanesul e a Federação das Associações Comerciais do Estado repetem com eles o feito da Cassems com Lauro de Davi. Ah, ia me esquecendo, mais uma vez, de Nicácio Cantero, com o compromisso, desde o último final de semana, de Zeca do PT, de com ele percorrer todas as bibocas do Mato Grosso do Sul. Entre os que fecham a lista, anotem aí, um nome do bolso do colete Zauith, podendo-se repetir para a Assembleia o efeito “dinamite” de Rafael Mattos na Câmara Municipal, Virgínia Magrini, João Grandão, Elias Ishy e, não se iludam, um representante do espólio eleitoral de Ari Valdecir Artuzi, que sairia das fileiras do PDT. Precisa mais? Haja votos, inclusive “da putada” daqui e de fora.

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Quem cochicha a votação espicha?

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