20/11/2013 – 16h00
Pode ser mera coincidência a filiação de duas endinheiradas fazendeironas douradenses (há anos radicadas em Campo Grande) ao partido do neto do velho líder comunista Miguel Arraes, o governador pernambucano Eduardo Campos. PSB, partido presidido em Mato Grosso do Sul pelo não menos endinheirado dono da Unigran, Murilo Zauith, também por uma dessas coincidências do destino atualmente prefeito de Dourados e maior referência política da ponte do Rio Brilhante pra baixo. Zauith que, se antes de virar prefeito pensava 24 horas por dia, “inclusive à noite” (como dizia seu antecessor, o Valdecir), só em ser senador, agora mudou de ideia, não descartando a possibilidade também de ser governador do Estado.
A filiação da sempre encantadora e enigmática Tatiana Ujacow é um desdobramento de sua opção pelo verde que amadureceu depois da malfadada experiência como candidata a vice-governadora na chapa da turma do vermelho mensaleiro em 2010. Depois da frustrada tentativa de balançar na rede com Marina Silva viu-se sob as asas da pombinha branca que embala os sonhos de Murilo Zauith e de tantos outros conterrâneos que desde 1982 esperam aparecer outro líder “com aquilo roxo” para repetir o feito de José Elias Moreira. Não, claro, para acertar a trave, apenas, do Parque dos Poderes, mas para acabar de vez com esta nhaca produzida pela baba do sapo enterrado aos pés da agora cambaleante estátua de Antônio João, o herói da guerra com o Paraguai em vias de ser cassado como patrono da história da terra de seu Marcelino.
Com Jante Moraes o buraco é mais embaixo. Sua filiação pode ser influência da cunhada Bete Balanço, que, pelas mãos do viajante Antônio Freire, também neossocialista e poderoso candidato da Federação das Associações Comerciais a estadual, chegou de mansinho, foi pondo banca na prefeitura e, chefe de gabinete, já é considerada a nova eminência parda no pedaço. Mas pode também ser coisa do velho Antônio Moraes dos Santos, o prefeito e deputado udenista douradense de triste lembrança para os colonos da antiga Vila Brasil, hoje Fátima do Sul, com suas recaídas filantrópicas, diante das notícias da rádio peão quanto aos milhões que a filha teria na algibeira para peitar Nelsinho Trad, Delcídio do Amaral e quem mais se atrevesse a cruzar o caminho dela. Detalhe: Janete bate no peito dizendo que se candidata fosse seria só a governadora. Tanta fé, justifica-se, pois além de herdar um dos maiores rebanhos bovinos do Estado, não faz muito tempo, herdou também um rebanho de ovelhas desgarradas ao reino celestial. São tantos milhões que certamente a pastora nem precisaria passar a sacolinha do dízimo entre os irmãos para uma eventual campanha.
Vaidades, e pretensões, femininas à parte, Murilo Zauith está mais que calçado. E como não há espaço para ele, tanto no ônibus de Delcídio do Amaral, subindo na contramão da pista em que desce o pau-de-arara de Eduardo Campos, muito menos na famosa ferrari de André Puccinelli, em que se espremem Nelsinho Trad e Simone Tebet, bem provável que o prefeito tire seu pisante de cromo alemão do armário. Sim, porque até a próxima primavera, quando chegar a hora da onça beber água, Dourados não terá mais um palmo sequer de rua sem asfalto, acabando essa coisa arcaica de se fazer campanha de botinas pela periferia. E assim, com um baita discurso, quem é que não vai se ser orgulhar de ser candidato, ou, no caso, candidata, a vice? Até porque ambas as moçoilas são douradenses da gema e certamente que o apelo pela candidatura daquele que veio para suplantar Zé Elias como o maior administrador da história vai soar mais alto que um brado de Juca de Matos nos tempos que não voltam mais (?), do coronelismo político.
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