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A hora de Zauith mostrar a que ou para que veio

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03/02/2014 – 08h34

Obrigado a retornar de Posadas, na Argentina, para Cascavel por conta do início da guerra das Malvinas entre o país hermano e a Inglaterra, em 2 de abril de 1982, fui interceptado em Foz do Iguaçu por um telefonema de Luiz Rogério de Sá. É que eu havia ido ao Paraná editar uma revista especial sobre os quatro – prorrogados para seis – anos da administração do prefeito José Elias Moreira, em vias de sair candidato a deputado federal. E naquele dia a história havia mudado. Zé Elias acabava de ser lançado candidato a governador do Estado. Nem deu tempo de contemplar as Cataratas do Iguaçu, embarcando no primeiro voo para São Paulo, de lá para Campo Grande na manhã seguinte, em tempo de acompanhar o filho de seu Quinzito em sua triunfal chegada à terra de seu Marcelino, onde era aguardado por uma monstruosa carreata organizada por Júlio Marques de Almeida.

Esta semana esta história pode se repetir. Ouvi dizer que Murilo Zauith vai a Brasília conversar com o governador pernambucano e presidenciável Eduardo Campos e que pode voltar de lá candidato a governador do Estado. Contaram-me também que com quem tem conversado ultimamente o prefeito tem exibido projeções de pesquisas que indicam a possibilidade de se eleger govenador, vencendo a eleição não só em Dourados como também no Estado. Já sairia com vantagem em relação a Zé Elias, que acabaria perdendo aquela eleição pela falta de consideração do eleitorado (peemedebista) douradense. Aliás, pode estar aí a explicação para a preocupação da marqueteira Maria Antônio Ribeiro Gonçalves com o projeto de João Leite Schimidt de lançar a candidatura do juiz federal Odilon de Oliveira. Ao prever que com a Copa do Mundo a coisa pode ficar preta para Delcídio do Amaral e, influenciada pela mudança para Dourados, não pondo fé na candidatura Nelsinho Trad, ela pode estar engendrando uma terceira via para o enigmático patrão.

Ah, dizem – não só adversários, mas até gente da cozinha e da antessala do prefeito –, mas a administração Zauith é uma droga e ele não vai a lugar nenhum como candidato a governador ou a senador. Aí é que está o engano. A administração não está uma droga, mas também não é, pelo menos até aqui, aquilo tudo que esperava. Vejamos seu principal cartão de visitas, o aeroporto Francisco de Mato Pereira, “internacional” muito mais pela proximidade com Pedro Juan Caballero do que pela infraestrutura que a cidade já está a merecer, o que se comprova pelo overbooking nas duas companhias aéreas que operam na cidade. E quando vem uma raspa do tacho de madame Dilma, a prefeitura faz o favor de perder prazos e projetos. De resto, Zauith, trabalhando com rubricas oficiais, bem diferentes das que manuseava com sobras na Unigran, tenta fazer a lição de casa, até porque está para aparecer, ainda, o milagreiro para pôr fim ao eterno problema da saúde e da buraqueira do centro da cidade.

O problema de Dourados, como se vê, não é só administrativo, mas, principalmente político. Não roubando e não deixando se roubar tanto como acontecia nas gestões anteriores, já é uma grande coisa. E isso Zauith jurou de pés juntos, senão nas posses, mas em manchete de letras garrafais no jornal do amigo e correligionário AJ Hugo Rodriges, o Correio do Estado. Engenheiro de formação, empresário de visão e Cristão de orientação kardecista, deputado estadual, federal, vice-governador e agora prefeito em segundo mandato, Murilo Zauith é o político em situação mais confortável no Estado. Fiel da balança no processo sucessório, tanto pode ficar onde está, apoiando Nelsinho Trad e deixando o “pau torar” se Delcídio do Amaral virar governador, com o que teria discurso para se justificar em caso de fracasso administrativo, o que poderia até facilitar sua eleição numa das vagas de senador em dezoito, ou apoiar Delcídio, sua segunda opção, pegando logo a dinheirama federal que salvaria sua administração. Sim, porque sua vontade, seu sonho dourado, é sair candidato a governador já, em quatorze. E condição política para isso ele tem. Uma saída honrosa para a baita fria em que se meteu como administrador da massa falida deixada por Tetila e Artuzi.

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Murilo Zauith - foto: capitalnews

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