17/02/2014 – 07h30
Numa roda de amigos relembrando os bons tempos em que se fazia política sem retornos, na casa do ex-prefeito José Elias Moreira, o suplente de vereador Chaguinha Medeiros se derreteu em elogios a Zeca do PT por sua decisão de se candidatar a vereador em Campo Grande. Emocionado, o ex-governador lembrou que além de ajudar o sobrinho Vander Loubet, então candidato a prefeito, sua preocupação é o retorno do PT às suas origens, razão maior de seu projeto, agora, como candidato a deputado federal, de olho no Senado, em 2018. E aproveitou para citar outro exemplo de humildade política, o do deputado, ministro e governador baiano, Waldir Pires, uma das figuras mais notáveis da República, petista como ele, hoje, vereador em Salvador.
Esta historinha vem a propósito do despropósito do comentário, aqui no blog, do secretário de Governo da prefeitura de Dourados, José Jorge Filho, ao enfiar a carapuça na tentativa de defender seus colegas de secretariado tidos como responsáveis pelo “sacrifício” da candidatura governamental de Murilo Zauith. Não bastasse o descaramento da dissimulação – “a equipe não trabalha em função da promoção individual e nem pensando em projeto político futuro (sic)” – e essa mania de nivelar todos os jornalistas como se fossem seus subordinados, Zito abusa da arrogância ao informar que Zauith não pode e nem deve ser cogitado para deputado estadual ou federal, observando que “ele anda pra frente”. Logo ele, dos maiores marajás da Assembleia Legislativa, desdenhando do cargo que, se não fosse tão bom, não teria dado a maior longevidade política no Brasil e tanto poder a seu eterno patrão Londres Machado.
Interessante notar a incoerência do chefe de governo municipal ao tentar minimizar a incompetência e a antipatia de alguns de seus colegas, quando ele mesmo, durante o primeiro período da atual gestão puxou a fila tentando convencê-los a colocar os cargos à disposição, porque, ali, a coisa já não ia bem. A menos que tudo não tenha passado de encenação para salvar a própria pele, por conta de pequenos feudos, como o que tentou implantar, com o beneplácito de sua chegada Sílvia Bosso, na secretaria de Saúde. Período, aliás, marcado pela farra das diárias e dos suprimentos de fundos, em que Zito atropelava até colegas de maior confiança do prefeito, como Waltinho Carneiro, autorizando despesas como a do famoso Submarino Amarelo, que, com uma carga de preservativos comprados com dinheiro público, jamais emergiu das águas do rio Dourados, tanto que ninguém, nem no âmbito da prefeitura, da Câmara ou dos subordinados da imprensa ousa comentar o assunto, denunciado no Ministério Público.
Filho e irmão de prefeito, afilhado político da maior raposa política do Estado, Zito, ou “Labareda”, como era conhecido quando vereador em Fátima do Sul engajou-se nas hostes murilistas como “seu Madruga”, mas só pela suposta semelhança física com simpático personagem do humorístico mexicano Chaves, já que não conseguiu se desvencilhar dos vícios da política paroquial da antiga Vila Brasil. Misturando o público com o privado, como no caso dos penduricalhos da decoração de Natal das ruas adornando também sua loja de decoração, toca a prefeitura como uma fazenda. Tanto que, como capataz, mostrou eficiência, já que ninguém melhor para pôr jagunços pra correr, em que pese o condenável (em se tratando de um “jagunço de redação”) de sua insistência em acabar com coluninhas de mexeriqueiros jabazeiros e de “derrubar” matérias jornalísticas, agindo como os botocudos da tesoura verde-oliva que obrigavam jornais a publicar receitas de bolo em lugar de notícias nos tempos da ditadura.
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