19/02/2014 – 10h24
Difícil avaliar o que fede mais, se o conteúdo de um remanescente desses depósitos de dejetos humanos como o mostrado ontem pelo ex-deputado Roberto Djalma Barros e que tanto saudosismo despertou nas redes sociais, ou algum congênere, quando saído da boca de figuras proeminentes da política, na linha do antológico “estupra, mas não mata”, de Paulo Maluf ou do “pezinho na cozinha” com o qual o eminente sociólogo e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso definiu a cor de sua tez. Ontem foi a vez Zeca do PT. Ao rejeitar, de forma enfática, o apoio de seu antecessor à candidatura de Delcídio do Amaral, teria dito que “André Puccinelli hoje é uma carniça, um bicho que morre e fede”.
Difícil de acreditar, mas saiu no Midiamax, em texto assinado por Pedro Heiderich e Paulo Fernandes. Mais difícil ainda para quem teve o privilégio de, em duas ocasiões recentes, ocupar, na mesa de biritas de Zeca do PT, o lugar sempre reservado ao amigo Lula da Silva. Primeiro, na Folha de Dourados, a mais nova sucursal petista em Dourados. Pela euforia com que narrava seu périplo internacional com o chefe quando presidente da República, e ele governador do Estado, tive a sensação de estar diante de um estadista que não conhecia. Mais recentemente, na residência do amigo comum, Zé Elias, um Zeca compenetrado, preocupado com o retorno do PT às suas origens e com os rumos do governo da companheira Dilma Rousseff, falando em levar para o Congresso Nacional a proposta do fim do carreirismo político, com, no máximo, dois retornos de deputados e senadores e um único mandato de cinco anos para o executivo, entre outras coisas até interessantes.
A mim, surpreende a verborragia de ontem, até pelo que ouvi de Zeca do PT a respeito das alternativas políticas (por sua ótica) de André Puccinelli. A menos que suas previsões, que não vêm ao caso por terem sido feitas em roda de cerveja, não tenham passado de bravatas para impressionar o interlocutor talvez imaginando que pudessem chegar aos ouvidos do governador, de quem sabe que sou amigo. Além da baixaria da fala em si, uma incoerência, diante do atual cenário político, quando ele diz que “seria uma loucura esta aliança”, com a infelicidade da afirmação do “bicho que morre e fede”, a menos que não valha mais o surrado dito popular que ensina não se chutar cachorro morto.
Por tudo isso, embora o palavreado incompatível com o de uma figura tão ilustre remeta à antológica foto resgatada por Djalma Barros no Facebook, e, pela sobriedade com que vinha se portando ultimamente, titio Zeca só pode estar mesmo fora da casinha, o que no linguajar moderno e informal significa “pessoa fora de seu estado normal”, decorrência de um surto nervoso ou de embriaguez. Que seja pelo excesso de biritas. Nada melhor que uma ressaca bem curtida para um bom exame de consciência. E, também, para acordar, encarar que o bicho, que está vivinho da silva e que talvez não esteja fedendo tanto quanto o bafo de cachaça de campanha eleitoral.
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