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A “prosperidade” que a Veja não viu em Dourados

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28/02/2014 – 09h52

Para que o todo poderoso secretário de governo José Jorge Zito Filho não diga que é picuinha com a administração municipal, estou colocando, ao final deste post, os links dos textos anteriores a respeito do tema de hoje. É que quando escrevo certas coisas, além das ameaças, já habituais, não faltam os baba-ovos para me acusar de derrotista, de frustrado, enfim, de insubordinado. Por mais relevante que seja o assunto, como a iminente falência da jóia da coroa da economia douradense, nenhum pio nos jornalões oficiais ou na enxurrada de sites igualmente subordinados que chegaram para ocupar o lugar dos de-vez-enquandários impressos, alguns, cujos editores de CTRL C CTRL V têm o cinismo de estufar o peito para falar em “meu jornal”.

Como nesta onda de segunda cidade na rota dos melhores empregos (da iniciativa privada, que se diga) do Brasil só fala em cifrões, fiquemos com a superabundância dos números da verba conseguida pelo prefeito Murilo Zauith junto à madame Dilma Rousseff, que, juram seus marqueteiros, daria para asfaltar a cidade inteirinha. Registre-se que esta grana, que não é só para asfalto, mas também para as obras de mobilidade da área a ser beneficiada, não pode ser aplicada para tapar a buraqueira do centro da cidade. Isto sem contar os retornos. Mas digamos que tudo isso circule, mesmo, em Dourados, como prevê Zauith. São cerca de 60 milhões de reais. Por uma infeliz coincidência, o mesmo montante a que beira o calote da Usina São Fernando em parceiros e fornecedores, dinheiro, este sim, que já deixou de circular no mercado local, provocando uma quebradeira sem precedentes. Quer dizer, a mesma mão (da fada-madrinha) que dá é a (do chefe Lula) que toma.

De acordo com o mais recente relatório reservado a circular entre bancos oficiais ante “o breu da indústria sucroalcooleira no país” os credores da usina São Fernando, de Dourados, estão numa encruzilhada, “sobretudo quando se trata de uma empresa que carrega uma dívida superior a R$ 1 bilhão”. A companhia diz, o relatório, “está no meio de um tiroteio de informações desencontradas, como por exemplo, o atraso do pagamento de dívidas trabalhistas da ordem de 1,6 milhão, o que é negado por sua direção. Com a agência de fomento, a dívida passaria de R$ 300 milhões. E tudo, segundo as instituições financeiras credoras, encabeçadas pelo Banco do Brasil e BNDES, por conta de uma série de equívocos que teriam sido cometidos pelos gestores, sem que nem mesmo o plano de recuperação judicial, em setembro do ano passado, tenha aquietado os ânimos.

No país da mistura descarada do público com o privado, da institucionalização do malfeito e da impunidade, como provou a sentença final do STF ontem livrando a cara dos mensaleiros e ideólogos do partido governista presos em Brasília, não poderia se esperar outra coisa de um empreendimento cujo financiamento abundou na era Lula e cujos verdadeiros proprietários são por demais conhecidos até mesmo da tiazinha da lavanderia do Cachoeirinha sintonizada no programa Marçal Filho. Aliás, o relatório é claro, também quanto a isso, quando diz que “até mesmo o controle societário da companhia é objeto de controvérsia”, informando que José Carlos Bumlai sempre foi tratado como o dono da usina, mas que uma busca de 2.360 resultados no Google nada informa a esse respeito e, mais, que oficialmente o grupo São Fernando garante não ter vínculos com o pecuarista amigo de Lula da Silva. E aí, a pista apontada no mesmo documento: “o que mais contribui para lançar holofotes na direção da companhia é mesmo a suposta relação com José Carlos Bumlai. Nome importante do agronegócio do Centro Oeste, o empresário ganhou ainda mais notoriedade por conta da amizade com Lula. Durante os dois mandatos do ex-presidente Bumlai sempre teve ótimo trânsito no Planalto. Não custa lembrar que a construção da usina foi viabilizada, em grande parte, graças ao financiamento do Banco do Brasil e do BNDES”. Talvez por isso, conforme colunistas políticos dos mais bem informados, Lula esteja preparando o seu retorno, já, em lugar da preposta Dilma Rousseff.

Agora voltem no que escrevi lá atrás sobre isso:

A concordata da São Fernando e o inferno astral de Lula.

Novos escândalos petistas podem afetar economia douradense.

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A usina São Fernando - foto: Anita Tetslaff

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