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O dia D de Bernal

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12/03/2014 – 08h55

Quando escrevi, na campanha eleitoral para as prefeituras, em 2012, que Alcides Bernal nada mais era do que um Ari Artuzi melhorado, nem estava me atendo a seus defeitos ou qualidades, já que o homem da voz melodiosa de todas as manhãs nos microfones da rádio de Ivan Paes Barbosa não tivera, ainda, experiência como executivo. Era apenas uma alusão – que se ele tivesse levado como advertência, poderia estar em melhor situação hoje – quanto ao fato de, mesmo sendo um estranho no ninho, estar herdando a galinha dos ovos de ouro da política estadual – a prefeitura de Campo Grande. E tudo por conta de erros primários de estratégia política e de marketing, como “e o Bernal?”, coisa da genialidade de forasteiros da propaganda política insistentemente prestigiados em detrimento de profissionais do Estado.

Não poderia haver retrato melhor, na acepção da palavra, neste dia que pode passar à história de nossa capital morena, do que o resultante do que pode ter sido o melhor clique do fotografo Valdenir Rezende, e publicado na página três do Correio do Estado de hoje, o mesmo que ilustra este post. Jornal que, para azar de Bernal, dirigido pelo sempre impertinente e insubordinado A. J. Hugo Rodrigues está na trincheira oposta à do prefeito, entre outras razões, pelos compromissos (diga-se, também não cumpridos) de campanha com o site Midiamax. Como se trata de uma foto de arquivo, certamente que, em forma de premonição, falou mais alto o feeling do fotógrafo do Correio. Observem que a posição de (réu) total submissão de Bernal, talvez em momento de preces pelo que estava para acontecer, é a mesma de Pedro Chaves, depois do circo armado, convocado por Delcídio do Amaral (de quem é suplente no Senado) para tentar organizar a bagunça na prefeitura.

Pior, para Campo Grande, é que defenestrado Alcides Bernal já se tem como certo que o vice-prefeito (alguém sabe me informar o nome do sujeito?) a ser empossado também não esquentaria o banco, até que assuma a cadeira alguém com ligações com o establisment. Detalhe, tudo acontecendo, evidentemente, para que surta os efeitos necessários ainda nas eleições deste ano.

Sem entrar no mérito da questão, mas apenas para ficar no paralelo entre o prefeito na iminência de ser cassado e o obrigado a renunciar, se quisesse sair da cadeia, para, depois, desgostoso, morrer de câncer, não poderia dar certo a administração da capital, que começou cometendo os mesmos erros da de Dourados, inclusive, contratando as mesmas empresas, para os mesmos serviços elencados no processo da Uragano. Sem falar na farra dos precatórios, agora, já com a vaca indo para o brejo e na dinheirama que deve estar correndo nas últimas horas para tentar “convencer” suas excelências, os nobres edis campo-grandenses. E, para complicar mais ainda, para o Bernal, a coincidência de quem está por trás de toda a trama, com o Valdecir morto. Sim, porque se o ex-prefeito douradense estivesse vivo, certamente que já teria colocado a boca no trombone para aliviar as coisas para aquele a quem via como a próxima vítima.

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